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PL escolhe Flávio Bolsonaro para convenção de julho

O PL marcou convenção para 25 de julho em São Paulo. Flávio Bolsonaro será o candidato do partido.

PL escolhe Flávio Bolsonaro para convenção de julho

Análise · Luciano Aragão

A convenção está marcada para 25 de julho, em São Paulo. O candidato é Flávio Bolsonaro. O partido é o mesmo. O sobrenome também. O que muda, em relação ao ciclo anterior, é exatamente o que o PL prefere que ninguém pergunte: por que o filho e não o pai.

A resposta está nos tribunais, não nas urnas. Jair Bolsonaro segue inelegível, e o partido que construiu sua hegemonia sobre uma figura única precisou, pela primeira vez, fazer o que sempre fingiu não precisar: escolher um substituto. Que esse substituto carregue o mesmo sobrenome não é coincidência sentimental — é a solução mais econômica para um partido que não desenvolveu identidade doutrinária além da lealdade pessoal ao ex-presidente.

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, nunca foi o herdeiro político preferido da base. Esse papel coube, por anos, ao caçula Eduardo Bolsonaro, com maior trânsito internacional e apelo junto ao segmento mais ideológico do eleitorado. O filho mais velho chegou ao topo da fila por descarte, não por aclamação. No PL, isso importa menos do que pareceria: o que a sigla precisa não é de um candidato com trajetória própria, mas de um CPF diferente do pai para preencher a linha da candidatura presidencial.

A convenção de julho não lança uma candidatura. Ela formaliza uma equação de sobrevivência partidária.

O problema estrutural que a data não resolve é o da transferência de votos. O eleitorado bolsonarista demonstrou, em 2022, fidelidade ao homem, não ao projeto. Votar em Jair Bolsonaro era um ato de identificação quase biográfico. Votar em Flávio Bolsonaro exige um grau de abstração que nenhuma convenção consegue produzir por decreto. O PL aposta que o sobrenome funciona como âncora afetiva suficiente. Pode estar certo. Pode estar errado. A diferença é uma eleição inteira.

Há ainda a variável que o partido trata como resolvida sem que esteja: a própria posição de Jair Bolsonaro no processo. Um pai inelegível que permanece como referência central da sigla é, simultaneamente, o maior ativo eleitoral e o maior risco jurídico do projeto. Cada aparição dele ao lado do filho reforça a narrativa de continuidade que o eleitorado fiel quer ouvir — e alimenta o argumento de que a candidatura é uma tentativa de contornar a inelegibilidade por procuração, o que adversários já preparam como munição.

Marcar a convenção para São Paulo, no fim de julho, é escolher o palco maior e o calendário mais comprimido possível antes do prazo legal. É um movimento de afirmação, não de hesitação. O PL quer parecer — e talvez precise parecer — que a decisão está tomada e é irreversível. Partidos que chegam à convenção com dúvida perdem convenção.

O que nenhuma data resolve é a pergunta que o eleitorado fará sozinho na cabine: este Bolsonaro é suficiente?

Luciano Aragão

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: PL marca convenção para lançar Flávio Bolsonaro à Presidência

Fontes: Folha de S.Paulo · UOL