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O peso de um músculo, o peso de uma Copa

Análise · Marcos Tibúrcio A CBF confirmou neste sábado a lesão na coxa direita de Raphinha.

O peso de um músculo, o peso de uma Copa

Análise · Marcos Tibúrcio

A CBF confirmou neste sábado a lesão na coxa direita de Raphinha. Uma frase curta, de comunicado oficial, mas que carrega dentro de si tudo aquilo que o Brasil mais temia desde que a seleção embarcou para esta Copa. Não é a lesão de um atleta qualquer. É a lesão do homem que o time de Dorival Júnior escolheu como fio condutor — o jogador em torno do qual o futebol brasileiro desta geração tentou se reorganizar depois de anos de errância tática e identidade perdida.

Raphinha chegou a esta Copa não apenas como o camisa dez do Barcelona, mas como alguém que havia reconstruído a própria carreira diante dos olhos do mundo. Houve temporadas em que ele pareceu um apostador em má fase — talento inegável, resultado esquivo. Depois vieram os gols, a braçadeira no clube, a liderança silenciosa que se tornou vocal. E a seleção, que raramente sabe aproveitar jogadores de clube com esse tipo de maturidade tardia, desta vez pareceu entendê-lo.

Agora há uma lesão na coxa direita. A CBF não detalhou a gravidade. Não disse se é dias ou semanas. Esse silêncio, em si, já é uma forma de falar.

Uma lesão confirmada sem prazo é, no vocabulário das confederações, uma lesão que assusta quem a confirma.

O problema não é apenas técnico. É simbólico — e no futebol, o simbólico cobra juros. O Brasil construiu uma narrativa para esta Copa que dependia de Raphinha como personagem central. Sem ele em campo, ou com ele em campo mas pela metade, o roteiro precisa ser reescrito. E reescrever roteiro durante torneio é tarefa de emergência, não de planejamento.

Quem entra no lugar? A pergunta já está sendo feita nos grupos de WhatsApp, nos estúdios de televisão, nos bares que amanhecerão abertos para o primeiro jogo do Brasil. São perguntas legítimas. Mas antes delas vem outra, mais honesta: havia um plano B com a mesma consistência do plano A? Em Copas anteriores, a seleção brasileira caiu exatamente nessa armadilha — a dependência excessiva de um homem que carregou o time até o momento em que o corpo disse não.

Não se sabe ainda se Raphinha jogará. A CBF confirmou a lesão, não o fim. Há diferença entre uma confirmação de lesão e uma convocatória para casa. Mas o torcedor que viveu 2014, que viveu 2022, que viveu tantos julhos amargos, aprendeu a desconfiar do otimismo de comunicado. Aprendeu que entre o "está em observação" e o avião de volta há, às vezes, apenas uma noite mal dormida.

A Copa mal passou da primeira semana. O Brasil ainda não entrou em campo. E já há uma coxa direita no centro de tudo.

Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: CBF confirma lesão na coxa direita de Raphinha

Fontes: Folha de S.Paulo · UOL