CBF adia escolha de novo técnico e mostra indefinição
A Confederação Brasileira de Futebol enfrenta um impasse na escolha do próximo treinador, com decisões importantes sendo adiadas.
Análise · Marcos Tibúrcio
Três de setembro no calendário. A cento e poucos dias do apito, o sujeito que veste a camisa do Vasco, do Palmeiras, do Atlético ou da dupla Gre-Nal não sabe para onde apontar o sonho. A final da Copa do Brasil, pela primeira vez em partida única, é uma data no papel — 6 de dezembro. O palco, no entanto, é uma abstração, uma promessa vaga na boca do presidente da CBF, Samir Xaud: “Logo, logo estaremos definindo”.
Logo, logo. Uma expressão que, no futebol, costuma ser o antônimo da urgência.
A indecisão não é apenas um detalhe logístico. É um sintoma. A cartolagem, ao inaugurar centros de treinamento que são legados de uma Copa de doze anos atrás, parece enxergar o jogo como um produto a ser alocado na melhor praça. Brasília se oferece, com seu Mané Garrincha acostumado a decisões que não lhe pertencem, um coliseu neutro e asséptico. É a escolha da planilha. A escolha de quem não precisa contar as moedas para a passagem de ônibus ou negociar a folga no trabalho.
Enquanto isso, na arquibancada, o futebol acontece no tempo da vida. A decisão de dezembro começa a ser jogada agora, na conversa do bar, no planejamento da viagem, na promessa feita ao filho. Para esse povo, o “onde” não é um pormenor; é o começo de tudo. Saber se a jornada será para o Planalto Central ou para outro canto do país define o tamanho do sacrifício.
É possível, e talvez até provável, que a CBF espere o desfecho das semifinais para tomar sua decisão, calculando rotas e públicos. Mas uma final única, importada de outros continentes, exige um ritual que lhe dê alma. A força de uma Wembley ou de um Stade de France não está apenas no concreto, mas na certeza de que ali, naquele dia, o futebol terá sua festa marcada com um ano de antecedência. A CBF vendeu a modernidade do formato, mas entrega a incerteza de sempre. O que vemos, por ora, não é uma Super Bowl à brasileira. É um evento sem endereço.
A bola vai rolar no dia 6 de dezembro. Um time levantará a taça. Mas para o homem comum, aquele que de fato paga por tudo isso, a festa segue com um mapa em branco. E fica a pergunta no ar, mais pesada que qualquer troféu: para quem, afinal, é esta final?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fontes: CNN Brasil · ge