O Japão não veio à Copa para ser coadjuvante
Análise · Marcos Tibúrcio Há um equívoco confortável que o Brasil carrega sempre que o calendário coloca o Japão no seu caminho: o de que o confronto…
Análise · Marcos Tibúrcio
Há um equívoco confortável que o Brasil carrega sempre que o calendário coloca o Japão no seu caminho: o de que o confronto está decidido antes de começar. A camisa amarela da seleção asiática, nos imaginários mais preguiçosos, ainda evoca a Copa das Confederações, o amistoso de gala, o adversário que aparece para completar o quadro. Segunda-feira, às 14h de Brasília, o Brasil vai descobrir, uma vez mais, que essa conta não fecha.
Nelsinho Baptista, que conhece o futebol japonês por dentro, foi direto: vai dificultar muito. Não é frase de protocolo. É aviso de quem sabe que o Japão construiu, ao longo da última década e meia, uma seleção que aprendeu a incomodar justamente os times que chegam ao mata-mata com o peito cheio de certeza. O Japão não vence por acidente. Vence por organização, por compacidade, por uma disciplina tática que não escorrega nos momentos em que o adversário imagina que a pressão vai resolver.
O Brasil chega como favorito — e isso é dado, não é disputa. Mas favorito em mata-mata de Copa do Mundo é uma categoria que já devorou seleções muito mais aparelhadas do que esta. A história do torneio é farta em exemplos de times que entraram numa oitava ou quarta de final com a certeza do resultado e saíram sem entender o que havia acontecido. O favoritismo é real. A armadilha que ele esconde, também.
O que torna esse confronto particularmente delicado é a natureza do jogo que o Japão impõe. Não é um time que vem para encantar, para trocar passes na intermediária, para dar espetáculo. É um time que trabalha o jogo — que fecha os espaços com método, que explora a transição com velocidade e que não se intimida com a camisa do adversário. Num mata-mata de Copa do Mundo, jogado numa única tarde, essa combinação é suficiente para fazer o favorito suar cada minuto dos noventa.
O Brasil sabe o que o Japão representa. O problema é que saber e estar preparado são coisas diferentes, e a diferença entre os dois às vezes só aparece quando a bola já está na rede.
A seleção brasileira tem qualidade individual para resolver. Isso também é dado. Mas qualidade individual num coletivo japonês bem postado exige paciência, exige leitura, exige que o time não se deixe contaminar pela pressão crescente de uma torcida que espera a classificação como se ela fosse automática. Não é. Nunca foi, em nenhuma Copa. E o Japão, que já eliminou adversários de peso neste século, não chegou até aqui para servir de passagem.
Segunda-feira vai dizer muito sobre o Brasil — não apenas sobre o resultado, mas sobre o caráter desse time diante de um adversário que vai dificultar, como Nelsinho avisou. A arquibancada vai empurrar. O Japão vai compactar. E o jogo, que nunca foi planilha, vai se resolver no detalhe que ninguém previu.
**Marcos Tibúrcio — Chefia de Esporte, Xaplin**Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge