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O homem que chega para apagar o incêndio

Análise · Marcos Tibúrcio Havia um buraco no meio-campo do Atlético. Não um espaço tático, desses que o comentarista aponta com a caneta eletrônica.

O homem que chega para apagar o incêndio
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Havia um buraco no meio-campo do Atlético. Não um espaço tático, desses que o comentarista aponta com a caneta eletrônica. Era um buraco de alma. Um vazio onde deveria morar um cão de guarda, o homem que chega antes da catástrofe. Eduardo Domínguez tentou preenchê-lo com o que tinha à mão: deslocou Alan Franco, adiantou Pérez, fez o que um técnico faz quando a ferramenta certa não está na caixa. Improvisou. E a arquibancada, que não entende de planilha mas sabe tudo de desequilíbrio, sentia o time manco.

Kevin Castaño desembarcou em Belo Horizonte para ser essa ferramenta. Um primeiro volante, como diz a burocracia do futebol. O único de ofício, como aponta a realidade do elenco. Aos 25 anos, com a camisa da Colômbia vestida em uma Copa do Mundo e a experiência de quem sobreviveu a 45 jogos no moedor de carne que é o River Plate, ele não chega como aposta. Chega como necessidade.

Sua contratação não é sobre o futuro; é sobre o presente mais urgente. É a resposta do clube a um time que, mesmo invicto depois do Mundial, empata com o Remo e ouve do seu treinador que o resultado foi “amargo”. Amargo é o gosto de ver a própria defesa exposta, de assistir a erros fatais de posicionamento que entregam pontos. Amargo é saber que a ordem da casa foi destruída.

O colombiano não é um virtuose. Sua ficha no River registra duas assistências, não uma coleção de gols. Seu trabalho é outro. É o desarme silencioso, a cobertura que impede a finalização, o primeiro passe que limpa a jogada para que outros brilhem. Na Copa, contra Uzbequistão e Portugal, entrou no segundo tempo — o tipo de jogador que um técnico chama para botar ordem na casa, não para reinventar o jogo.

O Atlético não buscou um artista. Buscou um operário. Alguém para sujar o calção e devolver ao time a segurança que as improvisações tiraram. Castaño chega para ser o ponto de equilíbrio, a viga mestra que permite que o resto da construção se erga.

A torcida agora espera para ver se o homem que chega da Argentina é, de fato, a peça que faltava para transformar um elenco competente em um time campeão. Ou se ele é apenas mais um a tentar tapar um buraco que, talvez, seja mais fundo do que parece.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Atlético-MG acerta empréstimo de Kevin Castaño, volante do River

Fonte: ge