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Grêmio e Inter duelam por vaga na semifinal e alívio financeiro

Clássico Gre-Nal vale vaga na semifinal da Copa do Brasil e injeção de R$ 9 milhões aos cofres do clube vencedor.

Grêmio e Inter duelam por vaga na semifinal e alívio financeiro
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Nove milhões de reais, uma vaga na semifinal e um lugar para respirar. É o que se diz nos gabinetes do Beira-Rio e da Arena. Mas no asfalto do Salgado Filho, onde a torcida do Grêmio foi buscar respostas que não couberam no campo, ou no cimento do Gigante, onde o time do Inter saiu sob vaias depois de um zero a zero com o Atlético, a conta era outra. A conta é a da sobrevivência.

Os dois rivais de Porto Alegre chegam ao clássico pela Copa do Brasil olhando para o mesmo ponto no horizonte: o abismo da tabela do Brasileirão. Empatados com 25 pontos, um degrau acima do Mirassol, a primeira alma na zona do rebaixamento. O clássico, portanto, é menos uma disputa por glória e mais um duelo para saber quem empurra quem para mais perto do fogo.

Um clássico jogado com medo

O futebol se explica por seus contextos. E o deste Gre-Nal é o do medo. O Grêmio de Luís Castro venceu duas vezes em nove jogos desde que o mundo parou para ver a Copa. O Inter, seu vizinho e rival, conseguiu ainda menos: uma única vitória no mesmo período. Os números são de time pequeno, de quem joga a cada rodada com a calculadora na mão e o terço na outra.

A crise não é sussurrada; ela grita. Gritou na cobrança do executivo gremista Paulo Pelaipe em Bragança Paulista. Gritou nos xingamentos ao presidente colorado Alessandro Barcellos quando o Remo arrancou um empate no último lance. E tomou corpo na reunião entre organizadas, cinco líderes do elenco e o técnico do Grêmio. A pauta não era tática. Era a vida.

Dizem que o clássico é um campeonato à parte. Talvez. Mas o que se joga nesta quinta não é um torneio, é um veredito. A classificação pode ser a "virada de chave", como esperam os dirigentes, ou apenas um breve analgésico para uma doença que parece instalada nos dois lados do Guaíba.

Em campo, não se enfrentam duas camisas pesadas. Enfrentam-se duas angústias. O dinheiro da vaga alivia o caixa, mas não resolve o futebol pobre, a falta de confiança, o erro que se repete. A vitória dará a um dos lados um impulso anímico. Mas a temporada de ambos sugere que qualquer impulso pode ser efêmero, uma trégua antes da próxima batalha contra os próprios fantasmas.

Aquele que perder não cairá apenas na Copa do Brasil. Cairá mais fundo no poço psicológico que cavou para si mesmo nas últimas semanas. E de lá, do fundo, a luz do sol parece sempre mais distante.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Gre-Nal vale vaga na Copa do Brasil e R$ 9 milhões

Fonte: ge

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