Zé Roberto alerta para dificuldades no vôlei após derrota no Maracanãzinho
O técnico Zé Roberto analisa o desempenho do time e os desafios para o futuro do vôlei após os recentes resultados.
Análise · Marcos Tibúrcio
Um homem que coleciona o ouro do mundo olha para o continente e fala em preocupação. José Roberto Guimarães, o nome que se confunde com a própria história do voleibol brasileiro, treina a seleção feminina no Maracanãzinho e, na véspera de um Sul-Americano que parece ganho antes de começar, solta a palavra: "preocupante".
Para o burocrata do esporte, a frase soa como protocolo. O respeito ensaiado ao adversário. Para quem viveu a arquibancada, a palavra tem peso de concreto. A hegemonia — são quinze títulos continentais em sequência — virou um manto pesado. Sob ele, não se vê o troféu certo, mas o abismo da queda única. Zé Roberto não teme a Argentina ou a Colômbia. Ele teme o Maracanãzinho.
Não o ginásio de tijolo e cimento, mas o palco de suas memórias mais cruas. É o lugar onde a lógica se partiu. Onde o favoritismo escorreu entre os dedos nas quartas de final de uma Olimpíada em casa. Onde o hino nacional mais alto se converteu no silêncio mais fundo. A preocupação do técnico não é com o jogo que a Venezuela, o Peru ou o Chile podem apresentar. É com o jogo que o próprio ginásio joga com a cabeça de um time que carrega o dever de vencer.
Vamos enfrentar adversários perigosos, porque todos na América do Sul melhoraram. (...) Será um Sul-Americano diferente e preocupante. Temos que pensar jogo a jogo.
Ao justificar seu alerta com a evolução dos rivais — um Chile que cresceu, uma Venezuela campeã no sub-17, uma Colômbia de "vôlei diferente" —, Zé Roberto faz mais do que elogiar a concorrência. Ele constrói a narrativa de que a vitória, desta vez, não é obrigação, mas conquista. É uma tentativa de esvaziar a pressão que transforma o favoritismo em veneno. Ele sabe, como poucos, que nada é mais perigoso do que um gigante que entra em quadra apenas para confirmar o que todos já esperam.
Claro, é possível que seja apenas o discurso de um veterano calejado, calibrando as expectativas do público e a concentração de suas atletas. Mas a insistência no tema, a lembrança dos próprios tropeços no lugar, sugere algo mais. Zé Roberto não está falando para a imprensa; está exorcizando um fantasma diante dela.
A vaga para os Jogos de Los Angeles, para um time deste calibre, deveria ser um prólogo. Mas no Maracanãzinho, cada ponto terá o som dos pontos que já se foram um dia. Quem estará do outro lado da rede: a Argentina ou o espectro de uma derrota antiga?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Zé Roberto alerta para Sul-Americano de vôlei e diz ser "preocupante"
Fonte: ge