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Eleições expõem divisão do país por região e grupo social

O Brasil está dividido. As eleições de 2022 mostraram a polarização política em números, com eleitores de diferentes estados e classes sociais divergindo nas urnas.

Eleições expõem divisão do país por região e grupo social
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Beatriz Fonseca

Um país dividido, estado a estado. Em Pernambuco, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 51% das intenções de voto. No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL) tem 34%. A distância entre os dois números — trinta pontos em um estado, uma diferença dentro da margem de erro em outro — é o que a nova rodada de pesquisas da Quaest, divulgada nesta terça-feira (8), oferece como retrato inicial da corrida de 2026.

Os levantamentos, registrados no Tribunal Superior Eleitoral (PE-00285/2026), cobrem quatro dos maiores colégios eleitorais e reforçam um mapa que parece herdado das eleições anteriores. Pernambuco, um histórico bastião do PT no Nordeste, entrega ao ex-presidente uma maioria absoluta. O Rio de Janeiro, base política da família Bolsonaro, e o Distrito Federal, com seu eleitorado de perfil conservador, colocam Flávio Bolsonaro numericamente à frente, com 34% e 31% respectivamente, embora em empate técnico com Lula. Minas Gerais, o estado-pêndulo por excelência, mostra o equilíbrio mais fino: Lula com 31%, Bolsonaro com 27%, uma fotografia da indecisão.

Na minha leitura, os números sugerem menos uma nova disputa e mais a continuação de uma antiga, com protagonistas diferentes a carregar os mesmos legados. O petismo e o bolsonarismo mantêm seus núcleos de força regionais intactos, com votações que parecem responder mais a uma identidade política consolidada do que a um debate programático que ainda não começou.

O que se move, se algo se move, está nas margens. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece como o nome mais consistente entre os candidatos alternativos, pontuando entre 5% e 8% nos quatro estados. É um patamar ainda modesto, mas que o estabelece como um receptor inicial do voto que rejeita os dois polos. Outros nomes, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), não demonstram tração similar nestes recortes. O quadro, naturalmente, é provisório. Faltam as alianças, o tempo de televisão e os eventos que, por vezes, redesenham o tabuleiro.

A eleição de 2026, ao menos neste ponto de partida, parece ser sobre a capacidade de cada campo de romper as fronteiras geográficas e demográficas que hoje os definem. A questão não é se Lula vencerá no Nordeste ou se Bolsonaro será competitivo no Sudeste e Centro-Oeste; isso os dados já indicam. A pergunta é outra. Quem conseguirá falar com o eleitor do outro lado de um país dividido, estado a estado?

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Quaest: Lula lidera em PE; Flávio, no RJ e DF

Fontes: g1 · CNN Brasil