Barcelona investiu em jogador com pouca relevância em campo
Marcos Tibúrcio analisa contratação de jogador que não entregou resultado esperado para o Barcelona, gerando prejuízo milionário.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há fantasmas que se compram por dois milhões de euros. O Barcelona, nesta quinta-feira, trouxe para dentro de casa um deles. Chama-se Dominik Livakovic. Tem 31 anos, nacionalidade croata e uma especialidade rara: materializar pesadelos. Para o torcedor brasileiro, seu rosto é a imagem congelada de um fim de tarde no Catar, quatro anos atrás.
O clube catalão, ao anunciar o contrato de quatro temporadas, falou nos termos de sempre. É um reforço para a meta, uma opção para o técnico Hansi Flick, uma peça no quebra-cabeça de um elenco que defende o bicampeonato espanhol. A burocracia do futebol tem dessas coisas: ela transforma drama em transação. A diretoria vê um goleiro experiente, contratado a preço módico do Fenerbahçe. A arquibancada, porém, não esquece. E a arquibancada, de qualquer lugar, sabe que um homem nunca é apenas um homem — ele é, também, a memória de seus feitos.
E o feito de Livakovic, o que o inscreve na história, não foi um título turco ou uma defesa em Zagreb. Foi aquela disputa de pênaltis. Aquela eliminação do Brasil. A camisa quadriculada parecia crescer, os braços se agigantavam, e a bola que queimava nos pés dos nossos teimava em encontrar as mãos dele. Ele não foi um muro. Foi um espectro. O tipo de personagem que Nelson Rodrigues diria ter sido escalado pelo Sobrenatural de Almeida.
Agora, ele chega a um clube que vive sob a luz perpétua dos holofotes, mas para uma função que ainda parece incerta. A informação de que sua chegada foi antecipada, originalmente planejada para 2027, sugere um movimento de oportunidade, não de desespero. Ele pode ser segundo ou terceiro goleiro, pode até ser emprestado. É uma apólice de seguro com luvas. Um nome que impõe respeito no vestiário e assombra adversários que ainda lambem as feridas de um Mundial.
O Barcelona talvez não tenha contratado apenas o jogador de 74 partidas pelo Fenerbahçe. Pode ter comprado, por uma pechincha, a aura do homem que parou uma nação. É uma aposta na mística, algo que não entra em planilha de folha salarial. Resta saber, claro, se o fantasma do Catar ainda assombra ou se, sob o sol da Catalunha, ele é apenas mais um goleiro no fim de sua jornada.
O tempo, esse juiz implacável, dirá se ele defenderá a glória do Barcelona ou apenas o seu próprio passado.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Barcelona contrata goleiro Livakovic por quatro temporadas
Fontes: CNN Brasil · ge