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Luiz Henrique vive exílio dourado no exterior

Marcos Tibúrcio analisa os dois anos de exílio de Luiz Henrique, explorando os desafios e a realidade da vida distante de casa.

Luiz Henrique vive exílio dourado no exterior
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Dois anos. É o tempo que se leva para construir uma casa, para ver um filho balbuciar as primeiras frases, para esquecer um grande amor. Para Luiz Henrique, dois anos separam o instante em que vestiu a camisa da Seleção pela primeira vez e o dia de hoje, em que a mesma camisa parece tão distante quanto a Rússia é do Brasil. Ele fica no Zenit. Uma decisão que, no jargão dos engravatados, se chama “planejamento de carreira”. Na arquibancada, tem outro nome: exílio.

Não faltou quem o quisesse de volta. O Flamengo acenou do Ninho do Urubu, o Botafogo lembrou dos tempos de General Severiano, a Roma de Totti e Falcão imaginou o ponta correndo sob o sol do Olímpico. Três convites para regressar ao centro do drama, ao palco onde o futebol pulsa de verdade. Mas a escolha foi pelo frio de São Petersburgo, pela liga que a Europa teima em olhar por cima do ombro. Uma escolha que, por mais legítima que seja no extrato bancário, soa como um passo para o lado na biografia de um jogador.

Dizem que Carlo Ancelotti promete uma renovação. Uma palavra que soa bem em coletivas de imprensa, mas que na prática é cruel. Renovar é olhar para o lado, é buscar a novidade, é premiar o ímpeto de quem está sob os holofotes do agora. E onde estão os holofotes de Luiz Henrique? No campeonato russo, longe dos olhos do treinador, longe do radar do torcedor que liga a televisão no domingo à tarde.

O peso do nome

O problema, claro, não é o Zenit. O problema é a distância que ele impõe. O futebol brasileiro vive de proximidade, de memória fresca, daquele drible de ontem, do gol de quarta-feira. Luiz Henrique, o homem que um dia fez o Maracanã se levantar, hoje é um nome em uma lista, um vídeo no YouTube, uma lembrança. Uma lembrança que compete com o garoto que arrebenta no Brasileirão, com o ponta que decide um clássico na Espanha, com o meia que briga por título na Inglaterra.

Talvez esta leitura seja a de um saudosista, alguém que ainda acredita que o caminho para a Seleção se faz no calor da batalha semanal, não na placidez de um projeto financeiro seguro. Pode ser que Ancelotti, com sua sabedoria de quem já viu tudo, enxergue no atacante do Zenit uma peça que ninguém mais vê. Mas a história do futebol costuma ser menos sutil.

Aos 28 minutos do segundo tempo, contra um adversário que já não se recorda, Luiz Henrique fez seu gol pelo Brasil. Um instante de glória. Hoje, dois anos depois, ele espera por um telefonema. Um chamado que, a cada janela de transferências fechada, parece vir de uma ligação cada vez mais distante.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Luiz Henrique completa 2 anos na Seleção e fica no Zenit

Fonte: ge