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O espectro de Lindsey Graham na Casa Branca

Análise · Clara Verdi A morte de um senador republicano da Carolina do Sul, Lindsey Graham, foi o pretexto fúnebre para a diplomacia desta…

O espectro de Lindsey Graham na Casa Branca
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Análise · Clara Verdi

A morte de um senador republicano da Carolina do Sul, Lindsey Graham, foi o pretexto fúnebre para a diplomacia desta terça-feira em Washington. Não foi um encontro trilateral, mas uma sucessão de audiências, um balé de portas fechadas que revela mais sobre o patrono ausente do que sobre os presentes. Primeiro, Volodimir Zelensky, presidente de uma Ucrânia que resiste há quatro anos, tempo suficiente para que a promessa de Trump de uma paz imediata se tornasse apenas mais uma frase de efeito gasta. Depois, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de um Israel que arrastou a América para uma guerra no Irã que já dura cinco meses, e não as cinco semanas prometidas pelo Salão Oval.

Ambos os líderes, clientes do poderio militar americano, vieram a Washington pedir mais. Zelensky, pragmático, quer a licença para produzir mísseis Patriot em solo ucraniano, um sinal de que a guerra se tornou uma condição permanente, uma indústria local. Netanyahu, por sua vez, enfrenta a fricção crescente com seu principal aliado, um Trump publicamente irritado com a autonomia israelense nos ataques e a insistência em bombardear instalações nucleares iranianas. O fato de o assunto ter sido ostensivamente evitado na reunião, segundo um porta-voz, apenas sublinha a profundidade da divergência.

O que une estas duas guerras, além da dependência do arsenal americano, é o espectro do homem que as chancelou: Lindsey Graham. Foi ele quem advogou por sanções mais duras contra a Rússia; foi ele quem, segundo a imprensa americana, ajudou a convencer Trump a iniciar o ataque ao Irã. Sua morte reúne em Washington os arquitetos e os gerentes de seus conflitos póstumos. As reuniões na Casa Branca, descritas como “produtivas” em comunicados que não anunciam nada, parecem menos uma negociação de estadistas e mais uma consulta de herdeiros sobre um legado bélico complicado.

A ausência notada do vice-presidente J. D. Vance no encontro com Zelensky, mas sua presença na reunião com Netanyahu, é o tipo de detalhe que, na corte de Washington, vale mais que mil despachos. É a encenação da hierarquia, a cenografia do poder que distribui seu tempo e sua atenção conforme seus interesses, não conforme a urgência dos campos de batalha. Zelensky pede as ferramentas para sua autonomia; Netanyahu discute os limites de sua própria guerra. E Trump, no centro de tudo, administra os custos — políticos e financeiros — de duas frentes que ele mesmo abriu, sem saber, ou sem se importar, como fechá-las.

Clara Verdi

Clara Verdi — Europa. Xaplin.

Leia o factual: Trump recebe líderes da Ucrânia e Israel na Casa Branca

Fontes: g1 · Folha de S.Paulo