Tenistas criam 'Caribe' em quadra de areia de Santo Amaro
Em Santo Amaro, uma quadra de areia se transforma no 'Caribe' dos tenistas, unindo esporte e criatividade. Conheça a história.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há um Caribe que não consta nos mapas do turismo, um que se inventa com raquete, areia e sol a pino. Fica em Santo Amaro, Maranhão. De lá, saem seis campeões e uma sétima atleta, todos com passagem comprada para o Caribe de verdade, o de Aruba. Carregam na bagagem a convocação para vestir a camisa da Seleção Brasileira de Beach Tennis em novembro.
Sete nomes. Artur Lobão, André Barreto, Juliana Sara, Vinicius Mendes, Antonio Paizão, Laizzi Arruda, Marcelo Moreira. Não são estatísticas frias de um ranking nacional, embora tenham sido os números que os levaram até lá. São a prova viva de que o esporte, mesmo o que parece nascido para a orla do Leblon, brota onde a gente menos espera, com a força de um sertanejo.
A Confederação, em sua linguagem protocolar, fala em "fortalecimento", em "trabalho desenvolvido". Linguagem de gabinete. Na areia de Santo Amaro, onde seis deles acabaram de levantar um troféu estadual, a palavra era outra. Era suor. Era o grito na bola decisiva. Era o corpo que arde sob o mesmo sol que castiga e ilumina os Lençóis ali ao lado. A convocação não é fruto de um projeto de planilha; é colheita do que se plantou a cada mergulho na areia para salvar um ponto.
Um ranking, afinal, é apenas a memória organizada da exaustão. Ele não conta o sol das duas da tarde, a cãibra que ameaça no terceiro set, a rivalidade entre conterrâneos que se transforma em parceria quando o adversário veste outra bandeira.
Claro, é preciso dizer que este quadro é de hoje. O esporte tem a memória curta e a glória, efêmera. O que se joga em Aruba em novembro decidirá se essa história maranhense é um capítulo ou apenas uma nota de rodapé na crônica do beach tennis brasileiro. Mas a convocação, por si, já diz algo. Diz que o Brasil que compete não é só o do eixo econômico, o dos patrocínios milionários. Às vezes, ele vem de onde o mapa da mídia mal aponta.
E quando esses sete pisarem na areia caribenha, não estarão defendendo apenas uma bandeira. Estarão levando consigo o calor de um sol que eles conhecem como poucos. Quem treina em Santo Amaro não se assusta com o mormaço de Aruba. Já nasceu íntimo dele.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Sete maranhenses são convocados para a Copa Beach Tennis For All
Fonte: ge