O ensaio geral no estúdio da Band
Análise · Luciano Aragão O plano de Fernando Haddad para a segurança pública de São Paulo teria sido lançado no sábado.
Análise · Luciano Aragão
O plano de Fernando Haddad para a segurança pública de São Paulo teria sido lançado no sábado. Foi adiado para a segunda-feira. No meio do caminho, havia uma agenda com o presidente da República e, na noite de domingo, um debate contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A ordem dos eventos não é um detalhe de logística. É a própria estratégia.
Quatro anos depois do último encontro, o ex-ministro e o governador voltam ao mesmo estúdio. Desta vez, sozinhos. A eleição ainda não começou, mas o segundo turno já foi decretado pela grade da televisão. O problema do candidato do Partido dos Trabalhadores não é o adversário, mas a aritmética. A pesquisa Datafolha de julho o coloca com 30% das intenções de voto, contra 46% do titular do Palácio dos Bandeirantes.
Uma distância de 16 pontos percentuais não se percorre falando apenas de monotrilhos ou da Sabesp. É preciso nacionalizar a conversa, transformar a eleição estadual em um plebiscito sobre projetos de país. O comitê petista tem um roteiro claro: colar a imagem do Brasil que avança, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a um São Paulo que estaria patinando. Obras no estado, diz o argumento, só saem com dinheiro federal. A mensagem é dupla. Exalta o chefe no Planalto e busca desgastar o ex-ministro de Jair Bolsonaro.
Para a campanha de Tarcísio de Freitas, o jogo é o inverso. O governador aposta no balcão de entregas. Rodoanel, habitação, a dispersão da cracolândia. Sua tarefa é manter a discussão no asfalto e nos trilhos paulistas, onde se sente confortável para defender a própria caneta. Seus auxiliares esperam uma artilharia pesada de Haddad e garantem que ele devolverá na mesma moeda.
O que se verá no domingo não é tanto um debate sobre o futuro de São Paulo. É um teste de estresse para duas narrativas que se excluirão nas urnas. De um lado, o esforço para demonstrar o "custo Tarcísio". Do outro, a defesa de uma gestão que se pretende técnica, mas que nasceu umbilicalmente ligada ao bolsonarismo.
O adiamento do plano de segurança de Haddad para depois do encontro com Lula é simbólico. Antes de detalhar como pretende policiar o estado, é preciso reafirmar quem comanda a campanha. A eleição paulista se joga em dois tabuleiros, mas um deles fica em Brasília.
Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.
Leia o factual: Haddad e Tarcísio debatem na Band às 20h deste domingo
Fontes: Folha de S.Paulo · UOL