Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Marlon sente o peso da idade no corpo em campo

Marcos Tibúrcio analisa o desempenho de Marlon em campo, onde o corpo do jogador demonstra os efeitos implacáveis da idade.

Marlon sente o peso da idade no corpo em campo
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Havia um corpo em campo que já não respondia como antes. Um corpo que, há meses, cochichava avisos ignorados pelo apito do juiz e pelo grito da geral. Marlon, lateral-esquerdo do Grêmio, camisa 23, jogava com dor. Não é uma confissão de vestiário, é um fato médico. Agora, a corda esticada arrebentou. Uma lesão muscular tira o homem de 29 anos de três batalhas: Vasco, Botafogo, Palmeiras. Três jogos que podem definir o humor do trimestre no Olímpico.

O departamento médico fala em “tratamento”, em “evitar o agravamento”. A linguagem é asséptica, como deve ser. Mas na arquibancada, a tradução é outra. É o eco da cirurgia no tornozelo em março, dos 129 dias de estaleiro. É a constatação de que o futebol moderno, com seu calendário impiedoso, cobra a conta na coxa, no púbis, no ligamento. Marlon não é o primeiro nem será o último a pagar.

O remendo de Luís Castro

Para o técnico Luís Castro, a ausência de seu titular é menos um problema e mais uma rotina. O futebol virou uma gestão de avarias. Sem Marlon, e também sem o suspenso Pavón, o quadro negro do português vira um quebra-cabeça com peças faltantes. Pedro Gabriel deve herdar a posição. Caio Paulista é a outra carta. Nomes, rapazes, que entram na fogueira não por mérito consolidado, mas por decreto da fatalidade. É a chance que o destino dá, mas que o treinador raramente pede.

A parada para a Data Fifa, em outras circunstâncias um estorvo, surge agora como um oásis. A aposta do clube é que o tempo cure o músculo de Marlon a tempo do confronto com o Remo, em outubro. Uma aposta, é preciso dizer, que se apoia mais na esperança do que na certeza. O corpo de um atleta de alto rendimento, uma vez rompido, guarda cicatrizes que a ressonância magnética não mostra. A memória da dor é traiçoeira.

Enquanto a bola não rola contra o Vasco, o que resta é o silêncio da fisioterapia. Um jogador sozinho com sua lesão, longe do barulho e da glória. É o drama anônimo que sustenta o espetáculo. Quantos mais jogarão no limite até que o calendário, o verdadeiro senhor do jogo, decida dar uma trégua?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Grêmio perde Marlon por lesão muscular em três jogos

Fonte: ge

Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.