O centro do Brasil chega ao Pan-Americano
Análise · Marcos Tibúrcio Há um mapa do futebol brasileiro que todo mundo conhece. Litoral, capitais históricas, os grandes centros.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há um mapa do futebol brasileiro que todo mundo conhece. Litoral, capitais históricas, os grandes centros. Nesse mapa, Mato Grosso aparece como margem — quando aparece. O que a convocação da seleção brasileira universitária de futsal masculino para os IV FISU America Games está dizendo, com dez atletas e um técnico saídos daquele estado, é que o mapa precisa ser refeito.
A base da equipe é a FAIPE, de Cuiabá, atual campeã brasileira universitária da modalidade. Não é acidente nem coincidência — é projeto. Quando uma instituição do Centro-Oeste forma a espinha dorsal de uma seleção nacional, isso representa uma mudança de eixo que vai além do resultado de qualquer torneio. O esporte universitário, quase sempre tratado como nota de rodapé, está cumprindo aqui uma função que o futebol profissional raramente consegue: revelar que o Brasil é maior do que seus holofotes sugerem.
Marcus Penna chega à sua terceira convocação para o comando da equipe. Três chamadas não são sorte — são currículo. Sob seu comando, o Brasil venceu o Sul-Americano Universitário em Cali e chegou à final do Mundial Universitário em Shanghai, onde só parou diante da Croácia. O grupo que vai a Lima, no Peru, entre 20 de julho e 1º de agosto, carrega remanescentes dessas campanhas: o goleiro Tiego, o fixo Leandrinho, os alas Pedrinho e Maranhão, o pivô Marquinhos. É um elenco com memória de jogo grande.
O Brasil chega ao torneio como atual campeão dos FISU America Games — o ouro veio em 2024, também em Cali. A defesa do título, portanto, não começa do zero. Começa de uma identidade já construída.
Na primeira fase, o Grupo A reúne Brasil, Guyana, Peru, México e Chile. O percurso até a decisão tem nomes conhecidos, mas o favoritismo não embota o argumento central desta convocação: uma seleção com dez atletas de um mesmo estado, formados numa mesma instituição, representa uma coerência tática e humana que times montados às pressas raramente conseguem imitar. Eles se conhecem. Sabem onde o outro vai estar antes de ele chegar lá.
Dois atletas foram cortados após a lista inicial — Jean de Jesus e Henrique Guimarães — e entraram Gustavo, de São Paulo, e Pedrinho, de Sorriso, no Mato Grosso. O ajuste final preservou o equilíbrio regional sem abandonar a espinha dorsal cuiabana. É um detalhe logístico que diz algo sobre a maturidade da comissão técnica: saber o que não mexer.
O futsal universitário não terá transmissão em canal aberto. Não vai parar o país. Mas quando o Brasil entrar em quadra em Lima com aquela faixa verde e amarela no peito, dez daqueles atletas terão vindo de um estado que o esporte brasileiro costuma atravessar sem parar. Dessa vez, parou. E ficou.
Marcos Tibúrcio, Xaplin Esporte
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge