Athletic exclui Brasil e Vinícius Júnior das favoritas da Copa
O Athletic publicou projeções para o mata-mata e deixou Brasil e Vinícius Júnior fora dos favoritos da competição.
Análise · Marcos Tibúrcio
O Athletic publicou suas projeções para o mata-mata desta Copa e deixou Brasil e Vinícius Júnior fora dos favoritos. O site, que pertence ao New York Times e é hoje uma das publicações esportivas mais influentes em língua inglesa, foi generoso com o Japão — e econômico quando o assunto chegou à seleção canarinho. Isso, por si só, não seria notícia. Favoritismos editoriais existem, mudam de semana em semana e raramente resistem ao primeiro pênalti perdido. O que vale examinar é o que essa escolha revela sobre o olhar estrangeiro — especialmente o americano — diante do futebol brasileiro neste momento.
O Brasil chega a esta segunda fase carregando uma contradição que desconforta qualquer analista de fora: é ao mesmo tempo o time mais talentoso e o mais difícil de fiar. Vinícius Júnior, melhor jogador do planeta na última temporada do clube, ainda não mostrou nesta Copa tudo o que promete. Não porque esteja mal — jogador desse porte raramente joga mal numa fase de grupos — mas porque a seleção ainda não encontrou a forma que o liberte. Quando um time é construído em torno de um único homem e esse homem ainda não explodiu, o olho externo tem alguma razão em hesitar.
Mas hesitar é diferente de ignorar.
O Japão merece o elogio que recebe. É uma seleção organizada, disciplinada, com uma geração de jogadores forjados nas principais ligas europeias. Entende de pressão alta e de transição. Qualquer análise honesta coloca os japoneses entre os times a observar neste mata-mata. O problema não é elogiar o Japão — é que elogiar o Japão às custas do Brasil revela, muitas vezes, menos sobre o jogo e mais sobre quem está olhando.
O jornalismo esportivo americano, mesmo o mais sofisticado, ainda tem uma relação particular com o futebol: admira a estrutura, o sistema, o coletivo legível. O Brasil, historicamente, oferece outra coisa — o lampejo, o improviso com método, a genialidade que não se explica em gráfico de pressão nem em mapa de calor. Vinícius não é um jogador que se encaixa bem em planilha. É um jogador que se encaixa mal em planilha e muito bem em campo aberto.
Há uma certa vaidade acadêmica em ignorar o óbvio. O Brasil pode ser eliminado — isso é Copa do Mundo, a eliminação mora na esquina de todo favorito. Mas ser ignorado nas projeções por um site que rasga elogios ao Japão diz mais sobre o limite do olhar do que sobre o limite do time.
A Copa começou há pouco mais de duas semanas. O mata-mata começa agora. É nele que o futebol abandona as análises e cobra a fatura diretamente do jogador — no pé, no peito, às vezes na nuca. O Brasil que os americanos não conseguem ver talvez apareça exatamente quando o jogo deixar de caber em projeção alguma.
Marcos Tibúrcio, Xaplin Esporte
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: The Athletic ignora Brasil e Vini em projeções para mata-mata da Copa
Fonte: ge