Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

O Brasil não escolheu o caminho fácil. O caminho escolheu o Brasil

Análise · Marcos Tibúrcio Há uma palavra que o torcedor brasileiro pronuncia com toda a naturalidade do mundo quando o sorteio cai bem: "fácil".

O Brasil não escolheu o caminho fácil. O caminho escolheu o Brasil
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há uma palavra que o torcedor brasileiro pronuncia com toda a naturalidade do mundo quando o sorteio cai bem: "fácil". O caminho está fácil. A chave está fácil. Como se Copa do Mundo fosse corrida de obstáculos com obstáculos ajustáveis. Esta Copa de 2026 não deixou esse conforto para ninguém — e para o Brasil, em especial, deixou uma mensagem nas oitavas: começa agora.

A Noruega não é um time que se encaixa na prateleira dos adversários desprezíveis. É uma seleção que chegou a esta fase por alguma razão. Mas o que a vitória sobre o Japão — 2 a 1, com o drama que o placar estreito sempre carrega — revelou foi menos sobre o adversário imediato e mais sobre o mapa do que está por vir. Porque o chaveamento colocou Argentina e Inglaterra, as duas campeãs mundiais mais recentes, no horizonte do Brasil. Não como fantasmas, mas como etapas. Adversários com nome, história e a memória viva de ter erguido a taça.

Essa é a arquitetura dramática que a Copa tem o dom de construir sem pedir licença. Não é o Brasil que escolheu esse caminho — foi o caminho que, com a lógica perversa dos torneios eliminatórios, se organizou ao redor do Brasil. Enfrentar a Argentina em Copa do Mundo não é jogo de futebol. É outra coisa. É uma conversa que os dois países têm desde que aprenderam a existir um na presença do outro. E a Inglaterra de 2026 carrega o peso de 2022, de toda a geração que cresceu ouvindo que ia ganhar e ainda não ganhou.

O Japão cedeu dois gols e resistiu o suficiente para lembrar que nenhum 2 a 1 é passeio. A Noruega, agora, não vai se comportar diferente.

O que o Brasil tem de resolver nas oitavas não é apenas a Noruega. É a própria consistência. Uma vitória apertada sobre o Japão não é demérito — é aviso. Copa não admite o time que chega acomodado na segunda fase achando que o trabalho duro começa depois. O trabalho duro sempre começa antes do que se imagina.

Argentina e Inglaterra à frente não são ameaças que paralisam. São, para usar a linguagem que o futebol entende, motivação com endereço certo. O Brasil que quiser chegar à final desta Copa vai ter que derrubar exatamente os dois países que mais entendem o que significa ganhar o torneio no momento mais recente. Isso não é coincidência do chaveamento. É o roteiro que a competição escreve para os que têm pretensão de protagonismo.

A Noruega está na frente. Ela vem primeiro. E é por isso, precisamente por isso, que o jogo das oitavas não pode ser tratado como prólogo. Em eliminatória, prólogo não existe. Cada partida é o capítulo final de alguém.

**Marcos Tibúrcio** | Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil enfrenta Noruega nas oitavas da Copa 2026

Fonte: ge