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Brasil busca título sem ser favorito

Análise de como a falta de pressão pode beneficiar a seleção brasileira rumo ao título mundial.

Brasil busca título sem ser favorito

Análise · Marcos Tibúrcio

Existe uma tradição brasileira, quase litúrgica, de chegar à Copa do Mundo como o país que mais acredita em si mesmo — e por isso, às vezes, o que menos se prepara para duvidar. Em 2026, algo mudou. O ciclo foi conturbado, as Eliminatórias foram sofridas, a Copa América terminou antes do que deveria, e dois técnicos passaram pela seleção sem deixar obra concluída. O favoritismo, desta vez, ficou na prateleira. E isso, paradoxalmente, pode ser a melhor notícia que o Brasil tem.

O ge elencou seis razões para acreditar no hexacampeonato. A iniciativa tem sua lógica — no jornalismo esportivo, esperança também é informação. Mas o que me interessa não é a lista em si. É o que ela revela sobre o momento: quando um veículo precisa construir um argumento para justificar a crença, é porque a crença já não se sustenta sozinha. O Brasil de 1970 não precisava de seis motivos. O Brasil de 2026, precisa.

Isso não é demérito — é diagnóstico. E diagnóstico honesto é o primeiro passo para uma campanha séria.

Há algo de libertador em jogar sem o peso de ser o escolhido. A seleção que entra em campo como zebra tem menos a perder e mais a descobrir sobre si mesma. Os grandes campeões das últimas Copas — Itália em 2006, Alemanha em 2014, Argentina em 2022 — não chegaram ao torneio montados no carro alegórico do favoritismo. Chegaram com narrativas de crise, de reconstrução, de geração que precisava provar algo. A Argentina de Scaloni, especialmente, é o espelho mais fiel: um ciclo conturbado, uma Copa América que doeu, um técnico que não era o nome óbvio — e uma taça ao final.

O Brasil que sofrreu nas Eliminatórias pode ser, dentro de campo, mais difícil de bater do que o Brasil que se apresentou à Copa de 2018 como obra de arte antes de ser executada.

O problema, claro, é que sofrimento nas Eliminatórias também pode ser sinal de algo mais profundo — uma seleção sem identidade de jogo, sem hierarquia clara, sem o fio condutor que separa um grupo de jogadores de uma equipe. Duas trocas de técnico num ciclo são duas perguntas sem resposta. E perguntas sem resposta não viram taça por decreto.

O que o Brasil tem a favor, neste cenário, é a Copa do Mundo jogada em três países do continente americano. É fuso horário, é torcida nas arquibancadas, é uma familiaridade geográfica que não tem preço em torneio de eliminação direta. Não é garantia. Mas é contexto — e contexto, em Copa, pesa.

Seis motivos para acreditar. Alguns convencem, outros encorajam. No fim, o único argumento que vai importar é o que acontecer dentro do retângulo verde. A Copa começou em 11 de junho. O Brasil ainda não entrou. A história ainda não foi escrita. E é exatamente aí, nesse espaço em branco, que mora a chance.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Ge aponta seis motivos para o Brasil conquistar o hexa em 2026

Fonte: ge