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Brasil vence Japão nos acréscimos em jogo inesperado

Partida entre Brasil e Japão teve resultado marcado por drama nos minutos finais.

Brasil vence Japão nos acréscimos em jogo inesperado

Análise · Marcos Tibúrcio

Há jogos que o placar não explica. Brasil 2 a 1 sobre o Japão, com virada nos acréscimos, é um desses — não porque o resultado seja injusto, mas porque ele comprime numa linha o que durou noventa e tantos minutos de tensão real, de uma seleção brasileira empurrada para o canto e obrigada a respirar fundo antes de responder.

O Japão saiu na frente. Isso não é detalhe — é o centro de tudo que aconteceu depois. Uma seleção que entrou em campo para jogar, não para administrar, e que por um tempo substancial do jogo esteve à frente do Brasil no placar de uma oitava de final de Copa do Mundo. Quem ainda trata o futebol japonês como surpresa exótica precisa atualizar o mapa. O Japão não surpreendeu — confirmou.

O Brasil, de seu lado, mostrou o que mostrou na fase de grupos: capacidade de sofrer antes de reagir. Há quem chame isso de resiliência. Há quem chame de susto. As duas palavras cabem, e a escolha entre elas diz mais sobre o observador do que sobre a seleção.

Com passe de Bruno Guimarães, Martinelli faz o gol da virada nos acréscimos — e o Brasil respira.

Bruno Guimarães deu o passe. Martinelli fez o gol. Dois nomes, dois instantes, e uma partida que poderia ter terminado de outra forma. Esse é o fio pelo qual o Brasil passou para as oitavas — não um fio imaginário, não uma metáfora, mas a literalidade de um gol em acréscimos que separou a classificação da eliminação. Copa do Mundo é isso: a diferença entre continuar e ir embora é, às vezes, um passe certo no momento certo.

O que essa vitória revela sobre o Brasil de 2026 é mais interessante do que o resultado em si. Uma seleção que ainda não convenceu nos noventa minutos regulares, que cede espaço demais para que o adversário acredite — e o Japão acreditou, com razão — e que depende de lampejos individuais para fechar o argumento coletivo. Martinelli e Bruno Guimarães fecharam o argumento desta vez. Na próxima rodada, no próximo domingo, o argumento precisará ser mais longo.

As oitavas de final de uma Copa do Mundo não perdoam a mesma imprecisão duas vezes seguidas. O Brasil está vivo. Mas vivo como quem saiu da água depois de beber um pouco dela — aliviado, sem dúvida, e com a memória nítida do quanto estava perto de não sair.

O Japão vai embora. Mas vai embora tendo colocado o Brasil em xeque numa oitava de final, tendo saído na frente no placar e tendo obrigado a maior seleção da história do torneio a se virar nos acréscimos para não ir junto. Isso não entra no histórico oficial. Mas ficou na arquibancada — e nas pernas brasileiras, que vão sentir esse jogo por alguns dias.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil vence Japão de virada e avança às oitavas da Copa de 2026

Fontes: Folha de S.Paulo · BBC News Brasil