O Brasil das oitavas — privilégio que cobra seu preço
Análise · Marcos Tibúrcio Treze vezes. Nenhum outro país chegou tantas vezes ao mesmo ponto numa Copa do Mundo: a porta estreita das oitavas…
Análise · Marcos Tibúrcio
Treze vezes. Nenhum outro país chegou tantas vezes ao mesmo ponto numa Copa do Mundo: a porta estreita das oitavas de final, onde o torneio muda de natureza e o futebol abandona qualquer conforto que ainda restava. O Brasil entra em campo neste domingo, em Nova Jersey, contra a Noruega, carregando esse número como quem carrega uma tradição — com orgulho e com o peso que toda tradição impõe.
Há algo de peculiar nessa estatística. Liderar o ranking histórico de oitavas de final não é apenas sinal de grandeza; é também evidência de quanto o Brasil já conhece esse corredor. E de quanto já sofreu nele. A consistência de chegar é admirável. O que se faz depois de chegar é outra conversa — e essa conversa tem capítulos que a torcida preferiria não reler.
A Noruega, por sua vez, traz um dado que merece atenção antes de qualquer romantismo sobre a tradição canarinho: o Brasil nunca venceu os noruegueses. Nunca. É o tipo de informação que os analistas de plantão tratam como curiosidade e que os jogadores, no vestiário, fingem não ter lido. Mas leram. Todo mundo leu.
Adversário indigesto não escolhe tamanho de Copa nem momento de chegada. Aparece quando menos convém — e a Noruega aparece exatamente agora, na décima terceira vez que o Brasil bate nessa porta.
Nova Jersey não é o Maracanã, não é o Mineirão, não é nenhum dos endereços onde o Brasil construiu sua épica copeira. É uma arena norte-americana num domingo de junho, com o fuso pesando nos ossos dos torcedores que acordaram antes do sol no Rio e em São Paulo. O cenário é neutro demais para favorecer qualquer das partes, o que, paradoxalmente, pode favorecer quem tem menos a perder pelo simbolismo do lugar.
O que está em jogo vai além da classificação. Uma seleção que disputa sua décima terceira oitava de final carrega uma responsabilidade específica: a de demonstrar que a consistência histórica tem lastro técnico, não apenas sorte de chaveamento. Chegar treze vezes à mesma fase e transformar esse número em argumento de grandeza só funciona se o que vier depois justificar o argumento.
Contra a Noruega, o Brasil precisará resolver uma equação que ainda não resolveu em nenhum encontro anterior com aquela seleção — e precisará resolvê-la num domingo, em campo neutro, numa Copa que ainda não mostrou ao mundo o melhor que tem para oferecer com a camisa amarela. Treze oitavas de final constroem um legado. A décima terceira, porém, não herda nada das doze anteriores. Começa do zero, como todo jogo que decide.
Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge