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O Barão da Serra Negra e a conta impossível do XV

Análise · Marcos Tibúrcio Há jogos que começam no apito inicial e há jogos que já estão decididos antes de o ônibus sair do hotel.

O Barão da Serra Negra e a conta impossível do XV
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há jogos que começam no apito inicial e há jogos que já estão decididos antes de o ônibus sair do hotel. O XV de Piracicaba chega ao Barão da Serra Negra neste sábado carregando uma dívida de quatro gols com o Cianorte — e dívida assim, no futebol brasileiro, raramente se paga.

A aritmética é implacável: o Cianorte venceu a ida por 4 a 0, no Paraná. Isso significa que o XV precisa de quatro gols de vantagem só para levar a decisão aos pênaltis. Cinco para se classificar no tempo normal. Fernando Marchiori, o técnico, terá de encontrar no vestiário uma resposta que o jogo de ida não deu em campo. No confronto anterior, Richard Almeida entrou entre os titulares com a missão de trazer experiência ao meio-campo. O placar final — aquele 4 a 0 — diz o quanto funcionou.

A solução cogitada agora aponta para Gabriel Chagas, que deve retomar a posição. É a troca de uma aposta por outra, num cenário em que o XV precisaria não de ajustes, mas de uma reinvenção completa. E sem Júnior Caiçara, volante que foi titular absoluto na primeira fase e segue em recuperação de lesão muscular, o meio-campo do Quinze chega a este jogo sem o seu jogador de referência — exatamente quando mais precisaria dele.

O Cianorte, por sua vez, entra em campo com a confortável liberdade de quem pode perder por três gols e ainda assim avançar no tempo normal. É o tipo de vantagem que transforma o adversário em administrador, não em combatente.

O técnico do Cianorte conta com força praticamente máxima. Allan Passos retorna de lesão, mas deve começar no banco — sinal de que a comissão técnica não vê necessidade de arriscar. Jakão e Wagner Manaus estão pendurados, o que pode gerar algum cuidado extra na marcação, mas não muda a equação fundamental do jogo.

O que torna este confronto digno de atenção não é a esperança de virada — que existe, porque futebol é isso, a possibilidade que permanece enquanto o árbitro Jodis Nascimento de Souza não apita o fim. O que o torna digno é o que ele revela sobre a Série D como estrutura dramática. Aqui, times com história, como o XV de Piracicaba, convivem com o risco de eliminação precoce diante de adversários que construíram seu projeto com mais consistência. O Cianorte não goleou por acidente. Goleou porque foi melhor no único jogo em que importava ser.

O Barão da Serra Negra vai receber este jogo com a Copa do Mundo em segundo plano — a eliminação do Brasil antecipou duas partidas do mata-mata da Série D para este sábado, e o futebol profundo do país segue o seu ritmo próprio, indiferente ao calendário das seleções. É nesse futebol que o XV precisa encontrar, em noventa minutos, quatro gols que não vieram em noventa anteriores. A conta é esta. E ela não fecha fácil.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: XV de Piracicaba enfrenta Cianorte em jogo de volta da Série D

Fonte: ge