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O Amapá vai a Valledupar — e leva dois anos de silêncio

Análise · Marcos Tibúrcio Há histórias que chegam sem alarde e pedem silêncio para ser entendidas.

O Amapá vai a Valledupar — e leva dois anos de silêncio
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há histórias que chegam sem alarde e pedem silêncio para ser entendidas. Isabelle Soares, atleta amapaense de atletismo paralímpico, embarca nesta sexta-feira para Valledupar, na Colômbia, onde disputará os Jogos Parasul-Americanos. Não é notícia de manchete fácil. É notícia de quem sabe ler esporte — e entender o que significa dois anos e pouco dentro de uma pista separando uma jovem do Amapá de sua primeira competição internacional.

Dois anos. Em esporte de alto rendimento, esse é um intervalo que cabe uma carreira inteira ou um abandono silencioso. No caso de Isabelle, coube seis títulos de Campeonato Brasileiro de base e uma convocação para a seleção nacional. O percurso é rápido demais para ser sorte e curto demais para ser coincidência: é trabalho com endereço certo.

A atleta chega a Valledupar pela oitava posição no ranking brasileiro no arremesso de peso, classe F37. Também competirá no lançamento de dardo, classe F34 — duas provas, dois desafios técnicos com exigências biomecânicas distintas. A combinação não é decorativa. Diz algo sobre a amplitude que sua comissão técnica enxerga nela, e sobre o que ela enxerga em si mesma.

Em pouco mais de dois anos no esporte, Isabelle disputará pela primeira vez uma competição internacional.

O número oito no ranking pode soar modesto a quem mede esporte pela tabela. Mas há uma lógica que a tabela não registra: a atleta que chega à arena internacional pela primeira vez carrega um tipo de capital que os primeiros colocados já gastaram — a estreia. Aquela tensão que não se repete, aquele momento em que o nome do país nas costas pesa mais do que qualquer implemento. Para alguns, paralisa. Para outros, acelera. O que Isabelle fará com isso em Valledupar, só a pista dirá.

O Amapá, estado que vive à margem das narrativas esportivas do país, aparece aqui não como curiosidade geográfica, mas como origem que importa. Ela saiu de lá, passou pelo Centro Paralímpico em São Paulo para integrar os treinamentos e avaliações da delegação, e agora embarca para a Colômbia com a seleção brasileira. Esse trajeto — Amapá, São Paulo, Valledupar — é uma linha que o esporte paralímpico brasileiro traçou com seriedade institucional. Vale notar.

Os Jogos Parasul-Americanos não têm a iluminação de uma Paralimpíada. A cobertura é menor, a arquibancada é menor, o eco é menor. Mas é exatamente nos torneios assim que as carreiras se constroem antes de chegarem ao lugar onde todos olham. Isabelle Soares está nesse momento — o momento anterior à memória que as pessoas vão ter dela. E quem entende de esporte sabe que é aqui, longe dos holofotes, que a história começa a ser escrita de verdade.

Marcos Tibúrcio, chefia de Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Isabelle Soares embarca para Parasul-Americanos na Colômbia

Fonte: ge