Futebol feminino ganha destaque no Médio Paraíba
Futebol feminino movimenta o Estádio do Trabalhador em Resende, mostrando a força e o protagonismo das mulheres no esporte regional.
Análise · Marcos Tibúrcio
No Estádio do Trabalhador, em Resende, o domingo não será de missa, nem de almoço longo. Será de futebol. E não um futebol qualquer, burocrático, de súmula e resultado seco. Será a final entre Resende e Volta Redonda, um daqueles duelos que medem a temperatura de uma região. Um clássico que, desta vez, tem onze mulheres de cada lado.
Os números, frios, diriam que Resende chega como favorita. Perdeu apenas uma vez em seis jogos. Uma única mancha na campanha. Mas o futebol, como a vida, mora nos detalhes, e o detalhe aqui tem nome e endereço: a derrota foi para Volta Redonda. Dentro de casa, por 4 a 1. Uma goleada que grita, que não se apaga com as vitórias seguintes, que fica atravessada na garganta de quem vai jogar pelo título diante da própria gente.
As duas equipes já estão na fase estadual. O passaporte carimbado poderia transformar o jogo num amistoso de luxo, mas a arquibancada sabe que não é disso que se trata. Trata-se de orgulho. Trata-se de saber, até o próximo campeonato, quem manda no pedaço. Resende, atual campeã estadual, joga para confirmar a dinastia. Volta Redonda, para provar que a única vitória que importou na primeira fase foi a sua.
Há um palco maior se desenhando, com a Copa do Mundo de 2027 prometida para o Brasil. A federação fala em “captação de talentos”, em “vitrine”. É o discurso oficial, polido. Na beira do gramado do Trabalhador, porém, a conversa é outra. É sobre a atacante que sonha com um contrato, a zagueira que joga pelo amor à camisa, a goleira que trabalha de manhã e treina à tarde. É a velha história do futebol que teima em nascer longe dos holofotes, da grama que nem sempre é tapete.
Esta leitura, claro, é a de quem vê o jogo de hoje. O futuro pode provar que esta final foi apenas um degrau, um capítulo menor na história de uma atleta que chegará à seleção. Mas por noventa minutos, o Brasil será do tamanho do Médio Paraíba.
Quem levantará a taça? A resposta está com elas. Para quem for ao estádio, fica a certeza de ver um futebol que não pede licença. Um futebol que existe por teimosia. E por talento.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge