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Mais que um remédio, um alvo para o câncer de pulmão

Análise · Dra. Camila Torres A oncologia moderna se afasta, passo a passo, da lógica da artilharia pesada — quimioterapias que atacam todas…

Mais que um remédio, um alvo para o câncer de pulmão
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Análise · Dra. Camila Torres

A oncologia moderna se afasta, passo a passo, da lógica da artilharia pesada — quimioterapias que atacam todas as células de divisão rápida, saudáveis ou doentes — para se aproximar da precisão de um franco-atirador. A aprovação, pela Anvisa, do Datroway® (datopotamabe deruxtecana) para um subgrupo de pacientes com câncer de pulmão ilustra bem esse movimento. Não se trata de uma nova arma para todos, mas de uma chave específica para uma fechadura molecular muito particular.

O medicamento é direcionado ao câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC), que constitui a vasta maioria dos casos, cerca de 85%. Mas a indicação é ainda mais restrita. Destina-se a pacientes adultos cuja doença já avançou localmente ou se espalhou em metástases, e que já viram falhar duas linhas de tratamento anteriores. É, portanto, uma nova trincheira para quem tem poucas opções restantes no campo de batalha.

O ponto crucial, no entanto, é genético. O tratamento só é válido para tumores que apresentam uma alteração específica: a mutação do gene EGFR, um receptor que, defeituoso, comanda a multiplicação celular descontrolada. Essa exigência transforma o diagnóstico. A biópsia deixa de ser apenas um meio de identificar o tipo de tecido doente e se torna um mapa genético que guia a estratégia terapêutica. A terapia-alvo, como é chamada, não enxerga um "câncer de pulmão", mas um "câncer com mutação de EGFR". A doença passa a ser definida por sua assinatura molecular, e não apenas por sua localização anatômica.

É um progresso inegável, mas que exige sobriedade. Cada nova linha de tratamento aprovada representa mais tempo, e potencialmente mais qualidade de vida, para pacientes em um cenário adverso. O datopotamabe deruxtecana, que já tinha registro para um tipo de câncer de mama, agora amplia seu arsenal. A aprovação da Anvisa não anuncia o fim da guerra contra o câncer de pulmão, principal causa de morte por neoplasia no mundo. Ela nos dá, para um grupo específico de combatentes, uma nova e mais inteligente munição.

Dra. Camila Torres — Saúde — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pulmão

Fonte: Agência Brasil

Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.