Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Luiz Gustavo se reinventa no futebol após saída da Seleção Brasileira

Meio-campo da Seleção de 2014, Luiz Gustavo superou o trauma da Copa e encontrou um novo rumo no futebol europeu.

Luiz Gustavo se reinventa no futebol após saída da Seleção Brasileira
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há fantasmas que não se calam com um grito de gol. Eles moram no silêncio. Doze anos de silêncio, para ser exato, desde que Luiz Gustavo, o volante, decidiu que a vida pública digital não era para ele. Foi depois de um jogo, uma tarde de julho em Belo Horizonte que o país preferiria esquecer. O meio-campista de então não esqueceu. Fechou-se.

O futebol, porém, não admite o vácuo. Exige a presença, o corpo, o sacrifício. E Luiz Gustavo, hoje capitão do Athletico, voltou ao mesmo palco do seu maior drama particular. O Mineirão. Não para uma revanche, que o esporte não oferece esse tipo de consolo barato, mas para uma afirmação. Ele ainda está ali. O homem sobreviveu ao placar.

Entre a tragédia coletiva de 2014 e a braçadeira de hoje, houve um drama mais íntimo, longe das câmeras e dos setenta mil no estádio. Um drama de corredor de hospital. Um tromboembolismo pulmonar, nome clínico para o medo cru. A sentença, dita por um médico, de que a bola talvez tivesse que parar. Para um jogador, é o fim antes do fim. É tirar do homem o seu ofício, sua linguagem, sua razão de ser no mundo desde menino. Foram três dias internado, três meses de molho. O suficiente para um homem repensar a vida inteira.

Luiz Gustavo voltou. Voltou porque, em suas palavras, o que se ama cobra um preço. E ele parece disposto a pagar. Hoje, aos 39 anos, não é o mesmo jogador da Copa do Mundo. Nem poderia ser. O tempo passa e cobra o seu no fôlego, na velocidade. Mas talvez seja um homem mais inteiro. O futebol, para ele, deixou de ser um palco de glória e desgraça e virou algo mais simples. Um ofício diário. Uma gratidão. A alegria de poder amarrar a chuteira mais uma vez.

É claro que esta leitura pode ser apenas o que queremos ver: uma história de superação, como tantas que o futebol nos vende. Talvez a cicatriz do Mineirão doa mais do que ele admita. Talvez o silêncio seja menos filosofia e mais refúgio. É uma possibilidade.

Mas quando a bola rolar no gramado onde seu nome se confundiu com um desastre nacional, a arquibancada verá um volante que não joga contra a Alemanha. Joga contra o próprio tempo, contra a própria finitude. Um capitão que lidera não por gritar mais alto, mas por ter conhecido o silêncio mais profundo.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Luiz Gustavo, do Athletico

Fonte: ge

Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.