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Dispersão eleitoral fragiliza o centro político em 2026

A disputa presidencial de 2026 começa com ampla fragmentação, desafiando a emergência de uma candidatura de centro.

Dispersão eleitoral fragiliza o centro político em 2026
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Análise · Beatriz Fonseca

Treze nomes disputarão a Presidência da República em 2026. A campanha começa oficialmente neste domingo, 16 de agosto, com os dois candidatos mais bem posicionados em atos de forte carga simbólica: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Bernardo do Campo; Flávio Bolsonaro (PL) em Copacabana. O número de candidaturas, no entanto, não reflete um cenário de múltiplas vias competitivas. Pelo contrário. Ele expõe a fragmentação de projetos menores e a ausência de uma força partidária capaz de articular o que se costumava chamar de centro.

O prazo para registro de chapas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terminou no sábado, 15 de agosto. O resultado é um campo pulverizado em torno de uma disputa principal que, segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, mostra um segundo turno apertado, com 46% para Lula e 43% para Flávio Bolsonaro. Junto deles, apenas Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) têm, por ora, a garantia de presença nos debates televisivos, por seus partidos possuírem ao menos cinco representantes no Congresso. O primeiro está marcado para 23 de agosto.

Minha leitura é que os movimentos dos partidos que se declararam neutros são mais eloquentes que muitas das candidaturas postas. A federação União Progressista (União Brasil e Progressistas), o MDB e o Republicanos anunciaram que não apoiarão candidato ao Planalto no primeiro turno. Liberaram seus diretórios. Em uma eleição presidencial, a neutralidade de máquinas partidárias deste porte não é um ato de isenção, mas uma decisão estratégica de esperar. É um cálculo sobre a sobrevivência política nos estados, onde os palanques locais pesam mais que o alinhamento nacional.

Este quadro pode, é claro, ser alterado pelo desempenho nos debates ou por algum fato novo de campanha. Uma leitura distinta apontaria que a neutralidade dos partidos é, na verdade, um sintoma de força dos candidatos que lideram, dispensando alianças formais custosas neste primeiro momento. Não me parece o caso. A meu ver, a dispersão é um sintoma da incapacidade de construir uma alternativa viável aos dois polos que hoje dominam a intenção de voto.

Enquanto a campanha começa, com o PRTB ainda aguardando uma decisão do TSE sobre a candidatura sub judice de Pablo Marçal, o que se vê é um grande vácuo entre os dois nomes que reúnem mais de 80% das preferências. Os demais candidatos — de Romeu Zema (Novo) a Samara Martins (UP) — representam projetos de nicho ou de afirmação partidária. A eleição começa com treze nomes, mas a política real se organiza como se houvesse apenas dois. A questão é o que acontecerá quando o resultado chegar ao Congresso.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Campanha presidencial para 2026 começa com 13 candidatos

Fontes: BBC News Brasil · CNN Brasil