Justiça colombiana manda presidente ocultar imagens de mortos
Abelardo de la Espriella divulgou vídeos e fotos caminhando entre corpos de supostos guerrilheiros mortos em operações militares.
Factual · Plantão Xaplin · fontes consultadas: 2 grupos independentes
Um juiz em Bogotá, Colômbia, ordenou na quinta-feira (10) que o presidente Abelardo de la Espriella ocultasse temporariamente as publicações em que aparece caminhando entre corpos de supostos guerrilheiros. As imagens, divulgadas pelo próprio presidente, geraram forte debate e críticas no país. O documento foi obtido pela agência de notícias AFP.
As publicações mostram Espriella em cenas de operações militares. Em um dos vídeos, com mais de sete minutos, ele detalha a ação militar em Guaviare, onde 23 supostos membros dissidentes das Farc e dois menores de idade foram mortos. Dois dias depois, novas imagens mostraram o presidente em La Guajira, após uma operação que resultou na morte de Naín Andrés Pérez Toncel, conhecido como Bendito Menor, sua companheira Angélica Tarazona, vulgo La Bebecita, e outras duas pessoas.
A Defensora do Povo, Iris Marín, condenou as imagens e afirmou que "o Estado e o Governo não podem competir para ver quem consegue ser o mais cruel". Em declaração na rede social X, Marín acrescentou: "Mesmo em tempos de guerra, há limites, e a dignidade humana não desaparece com a morte. As imagens e os símbolos do poder público também importam."
O cientista político Carlos Cortés afirmou à Folha de S.Paulo que a ação transmite "uma mensagem de força e intimidação" e está alinhada à postura linha-dura que Espriella prometeu durante sua campanha eleitoral, um fator que contribuiu para sua vitória em junho. A estratégia do atual presidente se distancia da de seu antecessor, Gustavo Petro, que buscava negociações com grupos armados.
Fontes: Folha de S.Paulo · BBC News Brasil
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