EUA são criticados por bloquear pautas sociais na COP17
Representantes da sociedade civil e de povos tradicionais criticaram a postura dos Estados Unidos na conferência da ONU.
Factual · Plantão Xaplin · fonte oficial
Representantes da sociedade civil e de povos tradicionais criticaram nesta terça-feira, 25 de agosto, o posicionamento dos Estados Unidos durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). Desde o início do evento, o país tem bloqueado a inclusão de pautas sociais na agenda de negociações, como a de gênero e participação social.
A articuladora de gênero da sociedade civil na conferência, Beth Roberts, afirmou que os Estados Unidos exigiram a remoção da palavra "gênero" de qualquer debate, classificando o tema como "inegociável". Roberts descreveu a postura do governo Donald Trump como "abertamente ideológica" e reflexo de estruturas de poder mais amplas. "O nacionalismo e o autoritarismo demonstrados pelo governo dos Estados Unidos não estão desconectados do patriarcado", disse Roberts à Agência Brasil.
As decisões na COP17 exigem consenso entre os participantes. A objeção de um país impede a aprovação de qualquer elemento dos textos oficiais, incluindo agendas, mecanismos e protocolos. Jennifer Tauli Corpuz, do povo Kankana-ey Igorot das Filipinas, destacou que o consenso em comunidades indígenas não implica unanimidade, mas sim o bem comum, e que "Consenso não é bloqueio".
A líder do povo pastoral Mbororo do Chade, Hindou Oumarou Ibrahim, defendeu a integração da ciência e dos conhecimentos tradicionais nas discussões da conferência. Jennifer Tauli Corpuz reforçou que os países devem "lembrar de sua responsabilidade" e responder aos impactos da seca e às pessoas afetadas pelas perturbações climáticas.
Fonte: Agência Brasil
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