Especialista nega eficácia do 'modelo Bukele' contra PCC e CV
Robert Muggah, cientista político, aponta poder econômico e estrutura de facções brasileiras como impedimentos à estratégia.
Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes
O cientista político canadense Robert Muggah afirmou que o "modelo Bukele" de segurança pública, adotado em El Salvador, não seria eficaz para combater o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) no Brasil. Muggah, especialista em violência urbana e segurança pública, apontou diferenças significativas entre as facções criminosas dos dois países como o principal impedimento.
Segundo o especialista, que é um dos fundadores do Instituto Igarapé, o poderio econômico e a complexidade das operações do PCC e do CV os distinguem de organizações salvadorenhas como Barrio 18 e Mara Salvatrucha (MS-13). As facções brasileiras se assemelham a "empresas multinacionais", com lavagem de dinheiro e conexões internacionais de tráfico de drogas, enquanto as salvadorenhas são mais territoriais.
"Prender em massa integrantes do PCC como se fez com a MS-13 é muito mais difícil por causa da distribuição da facção brasileira tanto no mercado doméstico quanto no internacional", declarou Muggah em entrevista à BBC News Brasil. Ele vive no Brasil desde 2011 e possui doutorado em Filosofia pela Universidade Oxford.
Desde 2019, sob a presidência de Nayib Bukele, a taxa de homicídios em El Salvador caiu drasticamente, levando o modelo a ser discutido por presidenciáveis brasileiros como Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). El Salvador está sob regime de exceção desde 2022, permitindo prisões sem mandado e detenções prolongadas antes da acusação formal.
Fontes: Folha de S.Paulo · BBC News Brasil
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