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Enquete sobre Endrick revela distância entre torcedores e técnico

Análise · Marcos Tibúrcio Há uma distância enorme entre o que o torcedor quer e o que o técnico escala. Isso todo mundo sabe.

Enquete sobre Endrick revela distância entre torcedores e técnico

Análise · Marcos Tibúrcio

Há uma distância enorme entre o que o torcedor quer e o que o técnico escala. Isso todo mundo sabe. Mas quando uma votação popular coloca Endrick entre os mais escolhidos para a estreia do Brasil na Copa do Mundo, o dado não é sobre futebol — é sobre ansiedade.

O ge abriu o VC Escala, sua enquete tradicional de escalação, e o atacante do Real Madrid terminou como terceiro mais votado. Danilo Santos ganhou vaga no meio-campo pela mesma contagem de votos. O resultado não define nada dentro de campo, mas revela muito fora dele.

Endrick carrega, desde os tempos de Palmeiras, um peso que ele mesmo ainda não pediu para carregar. O Brasil não encontra um jovem atacante com aquela combinação de frieza e explosão há tempo suficiente para que a espera tenha virado impaciência. O torcedor não está votando apenas num nome — está votando num alívio. Está dizendo: quero ver algo novo, quero acreditar em alguém de novo.

Isso não é elogio fácil. É cobrança disfarçada de afeto.

O problema de ser o terceiro mais votado numa enquete de Copa do Mundo antes de jogar um minuto sequer é que a arquibancada já criou a narrativa. E a narrativa, quando não é correspondida, vira pedra. O garoto que entrou como esperança sai como decepção — não por culpa do que fez, mas por culpa do que não fez dentro do roteiro que o torcedor escreveu sem consultá-lo.

O Brasil tem o hábito antigo de criar mitos antes do primeiro gol e destruí-los depois do primeiro erro. Endrick ainda não errou numa Copa do Mundo. Ainda.

Há também o que a votação diz sobre o momento da Seleção como conjunto. Se o nome mais emocionante para o torcedor é o de um jovem que ainda disputa posição no time titular, algo sobre o elenco como bloco não está convencendo. Não é demerito de ninguém — é sinal de que falta um personagem central, aquele em torno de quem o jogo se organiza e a imaginação se aquece.

Danilo Santos aparecer entre os mais votados para o meio-campo é dado diferente. É escolha técnica, mais racional, de quem acompanha e quer ver um perfil específico no setor. O voto em Endrick tem outra temperatura. Tem urgência.

Enquetes não escalam times. Mas medem o pulso de quem vai encher os estádios nos Estados Unidos, no México, no Canadá. E o pulso do Brasil, neste começo de Copa, bate no nome de Endrick com a força de quem ainda não viu — e já acredita. Ou já teme. Às vezes as duas coisas ao mesmo tempo, que é o estado natural de quem torce para o Brasil em junho.

Marcos Tibúrcio

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Endrick fica entre mais votados em enquete do ge sobre Seleção

Fonte: ge