Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Dois Brasis invictos numa quadra de Hangzhou

Análise · Marcos Tibúrcio Há torneios em que o placar engana.

Dois Brasis invictos numa quadra de Hangzhou
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há torneios em que o placar engana. E há torneios em que o placar é apenas a confirmação de algo que se vê antes de qualquer apito. O Brasil chega às oitavas de final do Mundial de vôlei sentado, em Hangzhou, com duas seleções intactas — masculina e feminina — e com uma história diferente em cada uma delas. Isso importa. Não é o mesmo tipo de invencibilidade.

As mulheres são campeãs em exercício. Chegaram à fase eliminatória sem ceder um set sequer, com parciais que beiram o constrangimento alheio: 25 a 12, 25 a 9 e 25 a 5 diante da França, na última rodada da fase de grupos. Não há como ler esses números como acidente. É domínio técnico e físico sustentado, a marca de quem defende um título com a consciência do que custa perdê-lo. As húngaras que as esperam nas oitavas terminaram o Grupo C sem uma vitória sequer. A partida começa às 3h, horário de Brasília. O horário importa menos do que o estado de uma equipe que parece não ter encontrado rival à sua altura ainda.

Os homens têm outra pressão — e outra grandeza. Buscam um título inédito, aquele que ainda não veio, aquele que dói de forma particular quando se é bom o suficiente para desejá-lo com seriedade. Encerraram a fase de grupos em primeiro no Grupo C, com três vitórias, a última delas sobre a Croácia por 3 a 0 e parciais que foram ficando mais folgadas set a set: 25 a 20, 25 a 21, 25 a 14. O adversário das oitavas é o Japão, que terminou em último no Grupo D, sem pontuar contra Estados Unidos, Ucrânia e Alemanha.

Em esporte paralímpico, a palavra "favoritismo" carrega um peso que vai além da tabela. Ela é também uma forma de reconhecimento — de que existe nível, existe disputa, existe história acumulada em quadra.

O que o Brasil apresenta neste Mundial não é só performance. É a consolidação de duas potências num mesmo torneio, em naipes distintos, com histórias distintas. A seleção feminina defende o que conquistou. A masculina persegue o que ainda não tem. São duas motivações que se parecem só de fora. Por dentro, a diferença é enorme — e ela aparece na forma como cada equipe joga, no peso que cada ponto carrega, na maneira como o banco reage a um erro.

Hangzhou está a doze horas de Brasília. As oitavas começam na madrugada de terça-feira. Dois Brasis vão entrar em quadra com histórias diferentes e com o mesmo aproveitamento: cem por cento. A partir daqui, no entanto, o torneio muda de natureza. Fase eliminatória não é fase de grupo com outros adversários. É outro jogo, com outra lógica, onde a invencibilidade é apenas o ponto de partida — nunca a garantia.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil avança às oitavas do Mundial de vôlei sentado com equipes

Fonte: Agência Brasil

?qual pergunta está viva em você agora?