Danilo, o ativo que a Copa do Mundo encareceu e barateou
Análise · Marcos Tibúrcio Há uma crueldade específica no futebol moderno que não aparece nas estatísticas: a Copa do Mundo pode fazer de um jogador…
Análise · Marcos Tibúrcio
Há uma crueldade específica no futebol moderno que não aparece nas estatísticas: a Copa do Mundo pode fazer de um jogador um produto diferente daquele que entrou nela. Danilo Santos chegou ao torneio como o principal ativo do Botafogo, avaliado internamente na casa dos 40 milhões de euros. Saiu com menos partidas jogadas do que o necessário para convencer qualquer diretor esportivo europeu a assinar um cheque nesse valor. Ancelotti o utilizou pouco. Isso tem peso — e preço.
A semana que começa é, portanto, menos sobre negociação e mais sobre reconhecimento de uma realidade que se formou ao longo dos últimos meses. O Botafogo precisa vender. Não é uma posição confortável para sentar à mesa. O clube atravessa um momento financeiro conturbado e Danilo é sua peça de maior valor de mercado — o que transforma cada dia sem acordo num peso a mais sobre as contas. A pressa, nesse tipo de negociação, raramente beneficia quem está com pressa.
O Palmeiras entendeu isso antes da Copa começar. A proposta de R$ 120 milhões mais o zagueiro Naves foi apresentada semanas antes do torneio, como quem planta uma bandeira: o interesse existe, independentemente do que aconteça no Mundial. Foi um movimento de quem lê o mercado com frieza — e sabia que a Copa poderia trabalhar a seu favor. Trabalhou. A passagem discreta pelo Nottingham Forest já pesava contra o jogador no radar europeu. A utilização limitada pela seleção consolidou a percepção.
O estafe de Danilo já opera com a leitura de que dificilmente algum clube do exterior cobrirá o que o Palmeiras oferece no momento atual. O mercado interno, antes segunda opção, tornou-se o cenário mais provável.
Mas há uma variável que não cabe em planilha: o desejo do próprio Danilo. O volante quer títulos — a curto e médio prazo, segundo pessoas envolvidas nas negociações. Isso filtra as opções. Zenit e Fulham demonstraram interesse, e há sondagens de Roma, Como, Atalanta, Galatasaray e Newcastle. O Newcastle, porém, está imerso na novela de Bruno Guimarães, o que complica qualquer movimento paralelo do clube inglês nessa janela. A Atalanta conquistou a Liga Europa há pouco tempo. A Roma vive uma reorganização. Nenhum desses endereços oferece a certeza de competitividade imediata que o jogador busca.
O Palmeiras, por outro lado, dispensa apresentação nesse quesito. É um clube que briga por título brasileiro em praticamente toda temporada e tem estrutura para sustentar essa briga. Para um volante de 23 anos que saiu da Copa sem o protagonismo que esperava, jogar bem no Brasileirão pode ser uma reconstrução de imagem mais eficiente do que apodrecer num banco europeu.
O Botafogo, contudo, tem um limite que não pretende cruzar: 30 milhões de euros. A proposta palmeirense fica abaixo disso — e a inclusão de Naves abre uma disputa de avaliação que pode levar as conversas a lugar nenhum se nenhum dos lados ceder. O impasse é real. A semana começa com os dois clubes brasileiros sabendo que precisam um do outro, mas fingindo, por enquanto, que não.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge