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Danilo é a pergunta que o Palmeiras ainda não respondeu

Análise · Marcos Tibúrcio Há uma distância de R$ 80 milhões entre o que o Palmeiras oferece e o que o Botafogo pede por Danilo.

Danilo é a pergunta que o Palmeiras ainda não respondeu
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há uma distância de R$ 80 milhões entre o que o Palmeiras oferece e o que o Botafogo pede por Danilo. No futebol brasileiro, essa distância costuma ser apenas o começo de uma conversa longa. O problema é que o calendário não tem paciência para conversas longas, e os outros interessados no mercado internacional tampouco.

O Verdão chegou a sinalizar R$ 120 milhões mais o zagueiro Naves. O Botafogo quer mais de R$ 200 milhões. Entre esses dois números mora toda a tensão de uma negociação que define, em boa medida, o que o Palmeiras vai ser neste segundo semestre — e ele próprio parece ter consciência disso, já que Danilo é descrito pelo clube como alvo único na janela. Não um entre vários. O único.

Isso é uma aposta alta, carregada de risco. Quem coloca todas as fichas num só nome precisa que aquele nome chegue. Se não chegar, a janela fecha vazia, e o elenco segue como está. Agora, o que o Palmeiras diz internamente é que o elenco atual — mesmo sem Danilo — é o melhor da era Abel Ferreira. A contratação de Barboza, zagueiro canhoto vindo do próprio Botafogo, já preencheu uma lacuna real na defesa. A espinha dorsal existe. O que se busca é mais uma camada.

Essa camada tem nome e função muito específicos. Danilo jogaria como camisa 8, um volante capaz de cobrir da área à área. Ele já fez esse papel no Palmeiras, nesta mesma gestão, neste mesmo clube. Abel Ferreira o conhece por dentro. A questão tática não é especulação — é memória.

Com Danilo no meio, Andreas Pereira voltaria a funcionar mais aberto pelo lado direito, papel em que rendeu melhor no início de sua passagem pelo clube. Allan, diferente no perfil, ganha uma função mais clara. Lucas Evangelista e Khellven ganham concorrência e contexto. O elenco não cresce em quantidade — cresce em possibilidades.

É esse o argumento do Palmeiras: não se trata de preencher ausência, mas de multiplicar opções táticas diante de um calendário que vai exigir Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores ao mesmo tempo. Quem atravessa três frentes com onze jogadores fixos não atravessa — desaba.

A janela abre formalmente em 20 de julho. O prazo de registro vai até 11 de setembro. O tempo existe. O que não existe, ainda, é acordo. E o mercado internacional observa o mesmo jogador que disputou a Copa do Mundo pela seleção brasileira, com uma vitrine que, por mais que o Botafogo considere aquém do esperado, é vitrine de Copa do Mundo. Não é pouca coisa.

O Palmeiras aposta que pode viabilizar o negócio sem chegar ao valor pedido pelo Botafogo. Pode estar certo. Pode estar errado. Mas enquanto a conta não fecha, o meio-campo mais poderoso que Abel poderia ter segue treinando em outro clube — e a pergunta que o Verdão ainda não respondeu permanece aberta no quadro.

Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Palmeiras foca em Danilo para reforçar meio-campo na janela

Fonte: ge