Dra. Renata Campos — Brinquedos sexuais
Se você nunca usou um brinquedo sexual e está lendo isto com uma mistura de curiosidade e vergonha, saiba: você é maioria.
Se você nunca usou um brinquedo sexual e está lendo isto com uma mistura de curiosidade e vergonha, saiba: você é maioria. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicada em 2025, revelou que 67% dos brasileiros adultos nunca usaram qualquer tipo de brinquedo sexual — mas 54% dos que nunca usaram disseram ter curiosidade. A distância entre curiosidade e prática se chama informação. É isso que este guia oferece.
Primeiro: normalizar
Brinquedos sexuais não são indicadores de insatisfação. Não são próteses para algo que falta. Não substituem parceiros. São ferramentas de prazer — como qualquer outra ferramenta que usamos para melhorar uma experiência. Ninguém questiona quem usa um bom travesseiro para dormir melhor. A lógica deveria ser a mesma.
A Organização Mundial da Saúde reconhece o prazer sexual como componente da saúde integral desde 2006. A Associação Americana de Psicologia publicou, em 2024, uma revisão de 47 estudos confirmando que o uso de brinquedos sexuais está associado a maior satisfação sexual, melhor conhecimento do próprio corpo e redução de disfunções como anorgasmia e dor durante a relação.
Por onde começar: para mulheres
Vibradores externos (bullet ou wand): São o ponto de partida mais recomendado por sexólogas. Pequenos, discretos, com múltiplas intensidades. Usados na região do clitóris, que é onde 75% das mulheres atingem o orgasmo (não por penetração, ao contrário do que a maioria dos homens acredita). Marcas confiáveis: Satisfyer, We-Vibe, Lelo.
Vibradores com sucção de ar: Uma revolução dos últimos anos. Criam ondas de pressão que estimulam o clitóris sem contato direto. A sensação é diferente de qualquer vibração convencional. O Satisfyer Pro 2 é o mais vendido do mundo por um motivo: funciona.
Por onde começar: para homens
Anéis penianos vibratórios: Usados na base do pênis, prolongam a ereção e estimulam ambos os parceiros durante a penetração. São discretos, baratos e fáceis de usar. Um bom primeiro passo para quem nunca experimentou nada.
Masturbadores com textura (sleeves): Para uso solo. A textura interna oferece sensações que a mão não reproduz. Marcas como Tenga e Fleshlight lideram o mercado com produtos que são, genuinamente, bem desenhados.
"O melhor brinquedo sexual é o que você se sente confortável usando. Não existe obrigação de gostar. Existe o direito de experimentar."
Segurança: o que importa
Material: Prefira silicone médico (body-safe), aço inoxidável ou vidro borossilicato. Evite produtos de material poroso (jelly, PVC, borracha) — acumulam bactérias e podem causar infecções. Se o produto não especifica o material, desconfie.
Higiene: Lave antes e depois de cada uso com água morna e sabão neutro (ou limpador específico). Seque completamente. Guarde em local limpo e seco, sem contato com outros brinquedos.
Lubrificante: Use lubrificante à base de água com brinquedos de silicone (lubrificante de silicone degrada o material). Lubrificante à base de silicone pode ser usado com brinquedos de vidro ou aço. Nunca use vaselina, óleo de cozinha ou creme hidratante.
A conversa que importa
Se você tem parceiro ou parceira, a introdução de brinquedos funciona melhor como convite do que como surpresa. A frase "comprei isso para experimentarmos juntos, o que acha?" abre espaço para curiosidade sem pressão. Se a resposta for "não quero", respeite. Se for "talvez", dê tempo. Se for "sim", divirtam-se.
Prazer é saúde. Curiosidade é inteligência. E vergonha, com informação, passa.