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Brasil, Holanda e Marrocos disputam caminho até a final

Análise de Marcos Tibúrcio sobre os diferentes caminhos que Brasil, Holanda e Marrocos traçam na competição.

Brasil, Holanda e Marrocos disputam caminho até a final

Análise · Marcos Tibúrcio

Há partidas que se decidem antes do apito inicial. A geometria da chave, os adversários que se cruzam, os caminhos que se abrem ou se fecham — tudo isso faz parte do jogo tanto quanto o chute do centroavante ou a falta no meio-campo. E o Brasil, neste momento da Copa de 2026, está diante de uma dessas encruzilhadas que definem torneios.

A situação no Grupo F, com Holanda e Japão bem encaminhados para a segunda fase, coloca a seleção brasileira diante de dois cenários que não são apenas diferentes na teoria — são diferentes em tudo. Enfrentar a Holanda de Ronald Koeman ou o Marrocos é a diferença entre dois tipos de sofrimento, duas histórias, dois futebol distintos em sua essência.

Koeman disse não ter preferência de adversário. É a resposta certa, a resposta de quem sabe que revelar preferência é enfraquecer posição. Mas por trás do protocolo há uma realidade: a Holanda é uma equipe europeia de alta organização tática, com tradição copeira e jogadores formados nas melhores ligas do mundo. O Marrocos, por outro lado, chegou à semifinal do Qatar em 2022 com algo que vai além da organização — chegou com uma identidade, com uma maneira de fazer o adversário sofrer que tem nome e sobrenome táticos. São blocos baixos, transições violentas, disciplina de pelotão.

Para o Brasil, os dois adversários exigem respostas distintas. Contra a Holanda, o jogo seria de posicionamento, de disputa no meio-campo, de quem sustenta a posse com mais inteligência. Contra o Marrocos, o problema é outro: como furar um bloco que se fecha com dez e abre com velocidade? Como criar espaço contra uma equipe que vive do espaço que o adversário deixa?

O futebol brasileiro tem uma relação antiga e mal resolvida com adversários que esperam. Quando o espaço some, o talento individual começa a procurar saídas que não existem.

Não é por acaso que a torcida brasileira, lá na arquibancada e aqui nas mesas de bar, prefere não pensar nisso agora. Mas pensar nisso agora é exatamente o que o torcedor deveria fazer — porque o futebol cobra cedo quem não pensa.

A classificação do Brasil para a segunda fase, por mais que se apresente como um avanço natural, não resolve a questão fundamental: a seleção tem um jogo reconhecível, uma ideia que se sustenta sob pressão? A resposta a essa pergunta virá antes de qualquer confronto com holandeses ou marroquinos. Virá na maneira como o Brasil encerra sua fase de grupos.

O que está em jogo não é apenas o nome do adversário. É saber se o Brasil chega ao mata-mata como protagonista ou como um time que ainda está se encontrando. Holanda ou Marrocos, o caminho passa por essa resposta.

*Marcos Tibúrcio*

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil pode enfrentar Holanda ou Marrocos na segunda fase

Fonte: ge