Apps exploram riscos de entregadores como 'provas de masculinidade'
Pesquisa aponta que plataformas se aproveitam da disposição de jovens em desrespeitar regras de trânsito.
Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes
Aplicativos de entrega exploram a disposição de jovens entregadores a assumir riscos no trânsito como "provas de masculinidade", segundo pesquisa do sociólogo Douglas Alexandre Santos. Os riscos incluem avançar o sinal vermelho ou “costurar” entre os carros, práticas que os entregadores adotam para cumprir os prazos de entrega dos aplicativos, conforme apurou o g1 e a BBC News Brasil.
O Brasil registrou 1,7 milhão de trabalhadores de aplicativos em 2024, dos quais 29,3% são entregadores, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A remuneração média da categoria era de R$ 2.996 para jornadas acima de 40 horas semanais. Entregadores como Matheus da Silva Pérez, de 22 anos, que trabalha na região da Avenida Paulista, em São Paulo, relatam exaustão mental, acidentes e tempo de espera não remunerado.
As plataformas iFood, 99Food e Keeta afirmaram em nota que a segurança é prioridade e que os tempos de entrega não estimulam riscos. As empresas declararam ainda que oferecem seguro contra acidentes.
Em dois anos, o número de trabalhadores de aplicativos cresceu 25,4%, com a entrada de mais 335 mil pessoas no setor. A maioria, 58,3% (964 mil), atua no transporte de passageiros, enquanto 485 mil são entregadores.
Fontes: g1 · BBC News Brasil
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