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ADPF das favelas muda estratégia de combate ao crime no Rio

Especialistas avaliam que a decisão do STF redirecionou o foco das operações policiais para desmantelar a estrutura do crime organizado.

Ilustração editorial: ADPF das favelas muda estratégia de combate ao crime no Rio
Ilustração editorial gerada por IA · Ateliê Visual Xaplin

Factual · Plantão Xaplin · fonte oficial

A Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das favelas”, alterou o modelo de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, segundo especialistas em segurança pública e direito penal ouvidos pela Agência Brasil. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), concluída em abril de 2025, determinou que a Polícia Federal (PF) abrisse uma investigação permanente e exclusiva contra o crime organizado no estado.

Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, afirmou que a ADPF promoveu uma “revolução silenciosa” ao direcionar o foco das operações, que antes se concentravam no varejo do tráfico em favelas, para ações voltadas a desmantelar a estrutura do crime. Segundo a jornalista, as investigações agora miram os "três pilares do crime organizado": o braço armado, o braço econômico e o braço institucional, envolvendo agentes públicos, autoridades e políticos que, "segundo as investigações, garantiriam proteção e informação aos esquemas".

O STF determinou, por unanimidade, que a União "garanta o incremento necessário da capacidade orçamentária do órgão" e que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Receita Federal e a Secretaria de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro deem prioridade às diligências. Olliveira citou a prisão de altas autoridades estaduais, como desembargadores e parlamentares, como exemplos da nova estratégia, mencionando a Operação Zargun, que investigou lideranças do Comando Vermelho e suas conexões com agentes públicos.

A diretora do Fogo Cruzado ressaltou que, por décadas, o combate ao crime no Rio esteve quase que exclusivamente focado em operações em favelas, um ciclo que considerou um "eterno enxugar gelo".

Fonte: Agência Brasil