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Seleção Brasileira convoca oito novos nomes para amistosos

Tite anuncia lista com mudanças significativas, incluindo jogadores promissores, visando testes importantes.

Seleção Brasileira convoca oito novos nomes para amistosos
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Oito nomes novos na lista. Oito. O número parece grande, parece promessa de um tempo diferente depois do avião que voltou mais cedo do Mundial. Carlo Ancelotti, o homem trazido da Europa para nos devolver a ordem, assina a convocação e nela se lê uma palavra: renovação. Mas ao passar os olhos pelos setores, da defesa ao ataque, uma ausência grita mais alto que qualquer novidade. Não é a ausência de um nome, mas de uma ideia, de uma função que nos acostumamos a ver como o coração de qualquer time que vestiu amarelo.

Onde está o homem que pensa o jogo?

A lista tem goleiros de Coritiba e Cruzeiro, zagueiros do Athletico e do Corinthians. Tem Bruno Guimarães, tem Vinicius Junior, tem Endrick — os que ficaram para contar a história do último fracasso. Tem até Breno Bidon, o garoto corintiano que se aproxima, de longe, da função de armador. Mas o meio-campo de Ancelotti, em sua primeira versão, é um campo de volantes. Jogadores versáteis, que marcam e correm, que ocupam espaço. Que cumprem planilhas. Nenhum deles, porém, parece convocado para a tarefa de inventar o passe que ninguém vê, de ditar o ritmo com a bola nos pés, de ser a pausa antes da vertigem.

A tendência, dizem, é manter uma formação parecida com a que esteve na Copa. Uma formação que nos levou até as quartas de final, e de lá não nos deixou passar. De novo. O próprio treinador já declarou que não vai abolir a função, que o ciclo está apenas no seu primeiro suspiro e que tudo é observação. É uma leitura possível, talvez a mais prudente. Mas na arquibancada, onde o futebol se sente antes de se analisar, a convocação cheira a desconfiança. Desconfiança na figura do camisa 10 clássico, esse personagem que o futebol moderno parece querer exilar.

Pode-se improvisar Estêvão, o ponta do Chelsea, por dentro. Pode-se pedir que um dos volantes avance. São soluções, não convicções. São ajustes táticos para preencher um vazio que já foi geográfico e anímico. O Brasil que encantou o mundo não o fez com volantes versáteis, mas com homens que tratavam a bola como confidente.

Esta nova Seleção começa a nascer com músculos e pulmões, mas sem a sua imaginação. Ancelotti, com toda a sua sabedoria, pode estar apenas ganhando tempo ou pode, de fato, estar desenhando um time que reflete o espírito desta era. Um time de eficiência, não de encanto. Estará ele certo? Ou estamos apenas nos preparando para mais um ciclo de um futebol correto, mas que esqueceu como se sonha?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge