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Araguaína inicia o dia antes do sol raiar

Em Araguaína, a rotina começa antes das primeiras luzes do sol, revelando a intensidade da cidade ao amanhecer.

Araguaína inicia o dia antes do sol raiar
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Às cinco e meia da manhã, o sol ainda negocia com a noite em Araguaína. O ar é denso. Mas na Avenida Paraguai, diante de um supermercado que ainda dorme, gente de short e camiseta se aglomera, estica os músculos, respira fundo. Há uma hora para a largada. Uma hora de silêncio e nervosismo miúdo antes que o asfalto, acostumado a pneus e pressa, sinta o impacto de centenas de pés correndo pelo mesmo motivo. Ou por motivos que só cada um deles conhece.

É a primeira vez que a corrida da Dragon Mídias toma a cidade. E o evento, como todo ritual que se preza, tem sua liturgia. A entrega dos kits, dividida por ordem alfabética ao longo de três dias, foi a primeira chamada. Ali, o corredor anônimo ganha seu número de peito — a identidade provisória que o iguala ao vizinho de largada e ao campeão que levará os quinhentos reais para casa.

O prêmio, claro, existe. É concreto, soma R$ 1.300,00 entre os cinco primeiros. Para alguns, é o bastante para justificar o esforço. Para a maioria, porém, o que está em jogo é outra coisa. Algo que não se deposita em conta. A organização promete postos de hidratação, suporte médico, mesa de frutas no final. O aparato necessário para que o drama seja apenas o do corpo contra a distância. O drama de verdade, o que faz um sujeito sair da cama antes das cinco, mora em outro lugar.

Pode morar na busca por um tal “Bônus RP” prometido ao primeiro lugar, uma sigla que os iniciados sabem significar Recorde Pessoal, a única marca que realmente importa. Pode estar no pai que vê o filho correr seus primeiros cem metros no circuito infantil, um universo inteiro contido naquele trecho curto. Pode, ainda, se esconder na diferença entre o kit básico, com a camiseta e a medalha, e o premium, que oferece um copo ecológico e um Carbogel. Não é uma leitura definitiva do que move cada um; é apenas um mapa das intenções possíveis espalhadas pelo percurso.

Às seis e meia, quando o tiro de partida soar, a avenida se transformará num rio de gente. Alguns vão disputar o pódio. Muitos correrão contra o relógio. Outros tantos, apenas para chegar ao fim e receber a medalha que, pendurada no peito suado, dirá simplesmente: eu vim, eu vi, eu venci. Não a corrida, mas a mim mesmo.

Quando o último corredor cruzar a linha e a avenida for devolvida aos carros, o que restará daquela manhã em Araguaína?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Araguaína sedia 1ª Corrida Dragon Mídias com largada às 6h30

Fonte: ge