A repetição de uma fórmula bem-sucedida
Análise · Beatriz Fonseca A política tem poucos ritos tão previsíveis quanto uma convenção partidária que confirma o esperado.
Análise · Beatriz Fonseca
A política tem poucos ritos tão previsíveis quanto uma convenção partidária que confirma o esperado. Nesta quarta-feira (29), em Brasília, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) oficializou o nome de Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva. O ato, que contou com a presença do presidente, formaliza a repetição de uma composição que se provou vitoriosa nas urnas de 2022. O que antes foi uma aliança improvável, hoje se apresenta como a manutenção de um arranjo institucional consolidado.
A escolha de 2022 foi, em grande medida, um movimento para construir uma frente eleitoral. Alckmin, ex-adversário de Lula e então filiado ao PSDB, representava um aceno a setores da sociedade e do mercado que viam com desconfiança a candidatura do Partido dos Trabalhadores. A chapa nascia com a tarefa de unir campos políticos distintos sob uma mesma bandeira. Hoje, o cenário é outro. Alckmin não é mais um ator externo agregado à campanha; é o vice-presidente da República e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Sua função como ponte com o empresariado, antes uma promessa de campanha, tornou-se uma atribuição de governo.
A convenção do PSB é o segundo passo formal na construção da aliança governista, sucedendo o apoio já declarado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) em 20 de julho. O calendário eleitoral dita o ritmo desses eventos, que devem se multiplicar até o prazo final de 5 de agosto. A aprovação da coligação com PT, PCdoB, PV, PDT, PSol e Rede no evento do PSB indica a busca por solidificar o campo que já dá sustentação ao governo no Congresso Nacional.
Na minha opinião, a oficialização de Alckmin não encerra um debate sobre a composição da chapa, mas sim o confirma como um pilar estável da arquitetura de poder. O que era um gesto de moderação para conquistar o poder transformou-se em um elemento de normalidade para mantê-lo. A relação de proximidade construída entre Lula e Alckmin ao longo do mandato parece ter superado o histórico de disputas. Resta saber como essa fórmula, pensada para um contexto de oposição, se comportará diante dos desafios de um segundo mandato.
Afinal, a política tem poucos ritos tão previsíveis quanto uma convenção partidária, mas o resultado de uma eleição raramente o é.
Beatriz Fonseca
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
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