Quarta-feira decisiva define três grupos da Copa do Mundo
Dia marca rodada final de grupos com múltiplos cenários abertos. Vários times ainda lutam por classificação.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há dias na Copa do Mundo em que o torneio parece respirar fundo antes de revelar sua próxima forma. Esta quarta-feira, 24 de junho, é um desses dias. Três jogos, três grupos em aberto — e a sensação, para quem acompanha com atenção, de que o mapa da competição pode acordar quinta-feira completamente diferente.
O mais carregado de tensão é o do Grupo C. Marrocos e Haiti se enfrentam às 19h, em Brasília, com a liderança do grupo dependendo não apenas do resultado, mas dos critérios de desempate — o que, traduzido para o idioma da arquibancada, significa que a matemática vai durar até o apito final e talvez além dele. Marrocos chegou à Copa como uma das seleções africanas mais respeitadas do ciclo. Haiti não veio para ser paisagem. O futebol do Caribe tem uma obstinação que os manuais táticos raramente conseguem quantificar. Se Marrocos vencer com folga, assume com autoridade. Se o resultado for apertado — ou pior, se escorregar — o Brasil pode ser beneficiado pelos critérios sem sequer entrar em campo naquele momento. É o tipo de cálculo que o torcedor faz no celular enquanto assiste a outro jogo, e que o jogador em campo precisa ignorar completamente para não perder o fio.
No Grupo que reúne África do Sul e Coreia do Sul, às 22h, o que está em jogo é da ordem da sobrevivência. A Coreia carrega no futebol uma tradição de campanhas que desafiam expectativa — 2002 não saiu da memória coletiva do continente asiático, e talvez não saia nunca. A África do Sul, por sua vez, joga com o peso particular de ser o único país-sede da história a ser eliminado na fase de grupos, em 2010, e ainda assim ter entregado ao mundo uma Copa inesquecível. Desta vez, é o campo que decide, sem o conforto da hospitalidade.
A Copa tem essa crueldade específica da terceira rodada: não há mais espaço para gerenciar o jogo. O empate serve ou não serve — e às vezes só se descobre depois que o outro termina.
Mais cedo, às 16h, Suíça e Canadá se encontram em Vancouver. O Canadá joga em casa — e "em casa" numa Copa do Mundo tem um peso que vai além da logística. A Suíça, porém, chega com trunfo: a reta final da fase de grupos mostrou uma seleção que encontrou o caminho do gol com consistência. Contra um Canadá que também sabe fazer gols e precisa da vitória para avançar, o jogo promete aquele tipo de equilíbrio instável que explode nos últimos vinte minutos.
Três partidas, três histórias distintas com o mesmo prazo. A Copa do Mundo tem esse talento raro de comprimir o drama em datas específicas — e esta quarta é uma delas. Quem chegar à quinta de manhã sem ter acompanhado vai precisar aprender o torneio de novo.
Marcos Tibúrcio — EsporteMarcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge
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