Ancelotti promete nova geração no Real Madrid, mas arquibancada preocupa
Carlo Ancelotti, do Real Madrid, anunciou uma nova geração de atletas. Expectativa é alta, mas a presença da torcida preocupa.
Análise · Marcos Tibúrcio
Carlo Ancelotti, da sala de troféus do Real Madrid, anunciou uma nova geração. Não é pouca coisa. É a promessa de que o futuro será diferente do passado que acabou de nos atropelar. O italiano, com a sobrancelha que já viu tudo no futebol, fala em jovens, em nomes novos, em um Brasil de 2030 feito de garotos que hoje mal arranham o profissional. A palavra é “renovação”. Palavra bonita, de púlpito, de gabinete.
O palco do batismo, porém, conta outra história. Os primeiros passos desta anunciada revolução serão dados em Townsville, Brisbane e Calcutá. Austrália e Índia. A camisa que parou o mundo para ver Pelé, que fez o Azteca curvar-se a Jairzinho, que ensinou ao planeta o que era um lateral com Roberto Carlos, irá se apresentar para cumprir tabela em estádios onde o futebol é um esporte exótico. O drama que deveria ser escrito em Wembley ou no Monumental de Núñez começa em roteiro de intercâmbio.
O diagnóstico do técnico, de que um ciclo precisa começar, é o que qualquer um com dois olhos diria na arquibancada do Lusail há alguns meses. É o óbvio. O que não se diz na entrevista é que toda promessa de futuro carrega a conta do passado. Ancelotti, ao observar um Lille x PSG, busca o jogador que, talvez, não tenhamos formado aqui. Ele procura no mundo o que um dia o mundo veio procurar aqui. É a confissão silenciosa de que a fonte não jorra como antes.
Ainda assim, é apenas uma declaração. Um aceno. A palavra de um homem que, se tudo correr como o planejado, nem estará no banco em 2030. Há um caminho contrário, menos cínico, que diria que ele faz o correto: usa adversários sem peso para testar quem não tem peso. Para dar minutos e responsabilidade a nomes que ainda não conhecemos, longe da panela de pressão de uma eliminatória. É um argumento honesto, embora com pouco sal.
A renovação de verdade não se anuncia em canal de clube europeu. Ela se impõe em campo. Ela nasce nos campinhos de terra, sobrevive à peneira e explode num domingo à tarde no Maracanã. Ela tem nome, sobrenome e um jeito de tratar a bola que não se aprende em prancheta.
O técnico promete o futuro. A arquibancada, esta senhora desconfiada, espera para ver quem terá a coragem de vesti-lo.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge