A outra amarelinha que também joga por nós
Análise · Marcos Tibúrcio Há duas seleções brasileiras em quadra neste domingo. Uma joga em Macau, às oito e meia da manhã, pela Liga das Nações.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há duas seleções brasileiras em quadra neste domingo. Uma joga em Macau, às oito e meia da manhã, pela Liga das Nações. É a vitrine do esporte, o time de José Roberto Guimarães, as atletas cujos nomes aprendemos a gritar em madrugadas olímpicas. A outra, a que joga às sete e meia da noite em Lima, carrega a mesma camisa, mas não os mesmos holofotes. É o Brasil B. E é nele que, talvez, se encontre a história mais pura do que significa vestir esta camisa.
O time do técnico Wagão, que passou pela Argentina na semifinal, não é feito de estrelas consagradas, mas de promessas e operárias. Bruninha, Sabrina, Aline Segato, Karina, Lanna, Juju, Paulina. Nomes que ainda buscam seu lugar definitivo ao sol. Elas foram a Lima, no Peru, para uma Copa Sul-Americana que corre em paralelo, quase à sombra do torneio principal. Enfrentaram uma Argentina que, mesmo derrotada, teve em quadra a maior força individual da partida: Bianca Cugno, atacante que o voleibol paulista conhece bem, autora de 33 pontos.
Mas o voleibol, como o futebol, é um drama coletivo. E o Brasil prevaleceu no conjunto, na capacidade de resistir quando o placar apertou, como no 28 a 26 do último set. O placar eletrônico é frio. Não mostra o suor, o grito de incentivo, a bola que queima na mão no ponto decisivo. Não mostra o peso de uma camisa que, seja no time A, B ou C, entra em quadra para ser batida.
Na final, o espelho. Do outro lado da rede, uma Colômbia invicta, comandada por um carioca, Guilherme Schmitz, um homem que passou duas décadas no Fluminense. É o Brasil contra um pedaço do Brasil. Uma rivalidade sul-americana com sotaque de Laranjeiras, um duelo que mostra a capilaridade da nossa escola.
Enquanto a nação aguarda pelo ouro contra a Turquia, este outro time, esta outra seleção, joga por algo tão fundamental quanto: o futuro. Cada ponto em Lima é um teste, uma afirmação. É a garantia de que, quando as luzes de uma geração começarem a piscar, haverá outras prontas para assumir o palco. O Brasil que joga pela manhã disputa um título. O que entra em quadra à noite, defende uma linhagem.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge