A matemática do sobrenome
Análise · Luciano Aragão Três pontos percentuais. Essa é a distância que separa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do senador Flávio…
Análise · Luciano Aragão
Três pontos percentuais. Essa é a distância que separa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numa simulação de segundo turno presidencial, segundo a pesquisa Nexus/BTG. Com margem de erro de dois pontos, para mais ou para menos, o resultado é um retrato de estabilidade. Na semana anterior, os números eram os mesmos: Lula com 47% e o filho do ex-presidente, 44%.
A imobilidade dos ponteiros sugere que a principal força do senador fluminense não reside em sua biografia parlamentar ou em propostas de governo já delineadas. Reside em seu sobrenome. O capital político que o coloca em paridade técnica com um presidente no exercício do mandato não é seu, mas herdado. É a transferência de um eleitorado que, até segunda ordem, permanece fiel à figura paterna, hoje inelegível.
O Palácio do Planalto lê a mesma partitura. Sabe que o adversário, por enquanto, é um espectro. A pesquisa mostra que a rejeição consolidada e o apoio resiliente que marcaram o país nos últimos anos seguem como a principal força de gravidade da política nacional. Lula mantém seu piso, e o campo adversário, também. A troca de nomes na urna parece, até aqui, um detalhe secundário.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo, também empata tecnicamente com o presidente, marcando 42% contra 45% de Lula. Já o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) aparece com 41% contra 46% do petista. Os números são próximos e indicam que qualquer nome viável no campo da direita parte de um patamar competitivo. O desafio é converter o antipetismo, um sentimento difuso, em votos nominais.
Flávio Bolsonaro, por ora, tem a primazia nessa tarefa. Ele não precisa se apresentar ao eleitorado que orbita a direita; o sobrenome o faz por ele. É o caminho mais curto entre o espólio de 2022 e a urna de 2026.
A questão que definirá os próximos meses não é se o senador tem o que é preciso para disputar a Presidência, mas se o eleitorado que um dia foi de seu pai aceitará a procuração.
Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.
Leia o factual: Lula e Flávio Bolsonaro seguem em empate no 2º turno
Fontes: CNN Brasil · UOL