Governador da Paraíba soma votos de dois rivais na eleição
A análise detalhada de Beatriz Fonseca revela como um governador na Paraíba conseguiu unificar o eleitorado, somando os votos de seus oponentes.
Análise · Beatriz Fonseca
Um governador soma sozinho os votos dos seus dois principais adversários. A pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25 de agosto), registrada no TSE sob o código PB-07850/2026, oferece este retrato da eleição paraibana: Lucas Ribeiro (PP) com 38% das intenções de voto; Cícero Lucena (MDB) com 19% e Efraim Filho (PL) com 18%. A aritmética é simples, mas a política que ela descreve é mais complexa. O resultado sugere que a disputa, no momento, não é tanto entre governo e oposição, mas por quem representará a oposição.
Lucena e Filho encontram-se em um empate técnico, considerando a margem de erro de três pontos percentuais. Na ausência de um antagonista claro ao governo, eles parecem dividir o mesmo eleitorado. Não por acaso, a soma dos dois (37%) espelha quase perfeitamente o patamar do governador. O cenário espontâneo, onde o entrevistado diz o primeiro nome que lhe vem à mente, acentua a diferença de posição. Ribeiro é lembrado por 26% dos eleitores; Lucena e Filho, por 7% cada. A distância entre a liderança e a concorrência não é apenas numérica, mas de presença no imaginário do eleitorado.
O segundo lugar em jogo
O desenho de um segundo turno parece, hoje, uma construção hipotética que depende de uma variável fundamental: quem sobreviverá ao primeiro. A pesquisa da Quaest indica que Ribeiro venceria tanto Efraim Filho (47% a 33%) quanto Cícero Lucena (48% a 29%). Esta simulação, contudo, é um exercício sobre um futuro incerto. O fato concreto, medido entre os dias 21 e 24 de agosto, é a competição acirrada pelo direito de confrontar o atual governador.
O que se vê na Paraíba pode ser lido como a consolidação de um incumbente ou como o efeito de uma oposição fragmentada. Uma leitura não exclui a outra. O número de indecisos (12%) e de votos brancos e nulos (10%) somados chega a 22%. É um quinto do eleitorado, capital político suficiente para alterar a configuração da disputa por uma vaga no segundo turno, ainda que pareça insuficiente para ameaçar a primazia de Ribeiro no primeiro. Minha interpretação é que o governador observa uma disputa que ocorre em um campo que não é o seu.
O cenário paraibano, mais do que apontar um favorito, revela a ausência de um adversário com escala para polarizar a eleição. E na política, tão importante quanto saber quem está na arena é entender quem ainda não conseguiu entrar nela.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Lucas Ribeiro lidera na Paraíba com 38% dos votos, diz Quaest
Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil