Temperatura global sobe 1,37°C e aumenta 0,26°C por década
A temperatura média global já subiu 1,37°C e segue em elevação constante, aumentando 0,26°C a cada década.
Análise · Prof. Otávio Estrela
Já estamos 1,37°C mais quentes. A cada década, a febre do planeta sobe outros 0,26°C. Em uma conta simples, sem muita cerimônia, Thelma Krug, da Organização Meteorológica Mundial, nos deu o prazo: três ou quatro anos no ritmo atual de emissões para que o limite de 1,5°C seja não uma ameaça, mas uma memória. Não se trata mais de evitar, mas de gerenciar o tamanho do erro. A ciência é processo, não veredito — mas às vezes o processo se acumula em uma conclusão que tem a força de uma lei física.
A astronomia oferece uma perspectiva de humildade que pode ser útil. Olhar para Saturno num telescópio amador, como ainda faço, é um exercício de se sentir pequeno e, por isso mesmo, maravilhado. Contemplar a Terra a partir de uma fotografia tirada a bilhões de quilômetros, um ponto azul e pálido na vastidão, deveria nos lembrar do quão raro e delicado é este nosso lar. É a única casa que temos, flutuando num silêncio cósmico. E nós a incendiamos.
A frase de André Guimarães, do IPAM, é a que melhor encapsula o momento: "Fomos derrotados por nós mesmos". Não foi um asteroide, não foi uma explosão solar. Foi a combustão lenta e deliberada de florestas e de fósseis que nos trouxe aqui. Os impactos já não são projeções, são o cotidiano: perdas na agricultura, na infraestrutura, na saúde, que já mordem 2% do PIB global. A discussão agora é sobre quanto pior vai ficar, e por quanto tempo.
O economista Sergio Margulis traduz a crise para a única linguagem que os sistemas de poder parecem entender: a do dinheiro. Gastamos 2 trilhões de dólares por ano em descarbonização, mas o problema exige 5 trilhões. É um investimento colossal, mas a alternativa é um prejuízo ainda maior, físico e financeiro. Adaptação, diz ele, não resolve a causa. É como tomar antitérmico para uma infecção grave. Alivia o sintoma, mas não cura a doença.
Ainda podemos redesenhar nosso futuro neste planeta, como lembra Guimarães. A questão é se a nossa capacidade de imaginação e ação coletiva será proporcional à escala do desafio que nós mesmos criamos. Outras leituras podem apontar para a inevitabilidade tecnológica ou para o colapso como única saída, mas a ciência dos dados atuais nos aponta uma rota difícil, não impossível.
Quando a próxima sonda espacial olhar para trás e fotografar a Terra, que tipo de ponto azul ela verá? Um mundo febril, lutando com as consequências de sua própria inércia, ou um pálido exemplo de como uma espécie inteligente aprendeu, no último instante, a cuidar do seu único oásis no cosmos?
Prof. Otávio Estrela, Ciência — chefia da Xaplin
Prof. Otávio Estrela — Ciência — chefia. Xaplin.
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Fonte: Agência Brasil
Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.