Lista com cinco nomes agita Toca da Raposa
Uma lista com cinco nomes chegou à Toca da Raposa, reacendendo a esperança de reforços e especulações sobre um "fantasma azul".
Análise · Marcos Tibúrcio
Uma lista de papel timbrado chegou à Toca da Raposa. Nela, cinco nomes: Otávio, Jonathan Jesus, Zé Lucas, Matheus Pereira, Kaio Jorge. É a pré-convocação de Carlo Ancelotti para os primeiros amistosos da Seleção Brasileira depois da Copa do Mundo, contra Austrália e Índia. A arquibancada cruzeirense, por um instante, respira o ar rarefeito da Granja Comary.
Um goleiro, um zagueiro, um volante, um meia, um atacante. A espinha dorsal de um time. Não é um nome perdido, um acaso de boa fase. É o reconhecimento de uma estrutura, de um trabalho que sai do papel da SAF e pisa no gramado. Kaio Jorge, o homem-gol. Matheus Pereira, o pé que pensa, o camisa 10 que o futebol brasileiro teima em esquecer como se faz. Uma candidatura a ter o coração de um time inteiro batendo em amarelo.
Mas futebol é drama, não comunicado oficial. E a memória do torcedor é mais longa que a de qualquer dirigente. Para o último Mundial, o de 2026, o Cruzeiro também teve cinco nomes numa lista assim, prévia, cheia de talvez. E quando o avião decolou, não havia um azul-celeste a bordo. Nenhum. A pré-lista, então, virou o que costuma ser: um quase. Um aceno de longe que nunca se transforma em abraço.
A dúvida, portanto, é personagem nesta história. Este chamado de Ancelotti é um olhar genuíno para Belo Horizonte ou apenas um protocolo, um mapa de atletas observados que morrerá na gaveta do treinador italiano? A resposta final só virá na próxima quarta-feira, quando o técnico anunciar os escolhidos na sede da CBF. Até lá, o clube vive entre o orgulho e a cautela.
O que mudou de lá para cá, talvez, seja a natureza dos jogos. Austrália e Índia não são Alemanha e Argentina. O ciclo que se inicia agora, mirando 2030, pede por sangue novo, por testes, por jogadores que ainda não carregam o peso de outras derrotas. É a brecha por onde o talento de um Jonathan Jesus, zagueiro de corpo e alma, pode passar.
Para o Cruzeiro, a simples presença dos cinco nomes na primeira peneira de Ancelotti já é uma vitória de bastidor. Sinaliza que o clube voltou a ser olhado, a ser visto como um lugar que produz mais do que apenas resultados no campeonato local. Mas o torcedor não quer troféu de bastidor. Ele quer ver seu jogador vestindo a camisa que um dia foi de Tostão.
Quantos desses cinco restarão na lista final? E se não restar nenhum?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge