Eleições 2026: Candidatos à Presidência da República iniciam campanha
Desde 16 de agosto de 2026, treze candidatos concorrem à Presidência da República. A Xaplin On detalha os perfis e propostas.
Análise · Beatriz Fonseca
Há treze candidatos à Presidência da República desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto de 2026. Suas propostas, de reforma do Supremo Tribunal Federal a novas diretrizes para o Sistema Único de Saúde, ocupam o debate. Enquanto isso, uma outra eleição se desenrola com menos visibilidade e, na minha avaliação, com igual ou maior capacidade de definir os próximos quatro anos do governo que vier a ser eleito: a renovação de dois terços do Senado Federal.
No dia 4 de outubro, cada eleitor escolherá dois nomes para a câmara alta do Congresso Nacional. São 54 cadeiras em disputa, o que redesenhará a correlação de forças em um espaço institucional decisivo para a governabilidade. Um presidente da República governa com o Congresso que tem, não com o que gostaria de ter. A história política brasileira desde a Constituição de 1988 é, em grande medida, a história dessa relação, por vezes de cooperação, por vezes de paralisia.
A eleição para o Senado, contudo, corre em uma pista paralela à presidencial. As candidaturas são pulverizadas por estado, os debates são locais e a cobertura nacional é naturalmente atraída pela disputa majoritária do Executivo. O eleitor é chamado a avaliar propostas presidenciais sobre temas como inteligência artificial e semipresidencialismo, apresentadas por candidatos como Augusto Cury (Avante), enquanto as plataformas dos postulantes ao Legislativo permanecem em segundo plano.
Esta dinâmica cria um paradoxo. O voto para presidente é um voto em um projeto, um plano de governo. O voto para senador é, na prática, um voto que pode viabilizar ou obstruir esse mesmo projeto. Um Executivo eleito com uma plataforma de reformas econômicas pode encontrar um Senado recém-empossado com outra agenda, tornando seu mandato um exercício contínuo de negociação ou confronto. A composição do Senado define o ritmo das sabatinas de ministros do STF e de embaixadores, a tramitação de medidas provisórias e o destino de propostas de emenda à Constituição.
É uma arquitetura que exige do eleitor uma atenção dupla, quase cindida. Ainda não é possível saber, por exemplo, qual será a composição final das bancadas e como se articularão com o Palácio do Planalto a partir de 2027. O que se pode afirmar, com base na estrutura do nosso presidencialismo de coalizão, é que a eleição para o Senado não é um evento secundário.
A pergunta que fica, a menos de dois meses da votação, não é apenas quem vai ocupar a cadeira presidencial. É também que Congresso esse presidente ou presidenta irá encontrar ao chegar lá.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Eleições 2026: Brasil renova dois terços do Senado
Fontes: BBC News Brasil · CNN Brasil
Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.