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Vôlei Campinas domina o estadual com equipe desfalcada

O Vôlei Campinas começou o campeonato estadual com duas vitórias e nenhum set perdido, mesmo com a equipe desfalcada.

Vôlei Campinas domina o estadual com equipe desfalcada
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Dois jogos, duas vitórias, nenhum set perdido. Os números dizem que Campinas caminha, serena e soberana, para o seu sexto título paulista. Os cartolas dirão que o projeto é sólido, a camisa é pesada, o favoritismo é natural. Mas a tabela, essa senhora cruel e honesta, não conta o drama que se esconde na folha de pagamento. A dinastia que busca o hexa joga, por enquanto, sem seus generais.

Matheus Pinta veste a camisa da seleção brasileira. O técnico Horácio Dileo e o jogador Martinez, a da Argentina. Estão ausentes por um bom motivo — defender uma bandeira —, mas a ausência deles no Taquaral ou no ginásio adversário cria um vácuo. O time que entra em quadra é um prólogo, uma versão provisória do esquadrão que levantou os dois últimos troféus. Quem comanda à beira da quadra é Léo Carvalho, o assistente que virou titular na prancheta. É ele o responsável por manter a máquina funcionando com peças emprestadas do futuro.

E a máquina funciona. As vitórias por 3 a 0 sobre Guarulhos e Praia Grande sugerem um domínio que, talvez, não reflita a tensão interna de um time que se refaz a cada rodada. O favoritismo, afinal, não entra em quadra. Ele fica do lado de fora, na arquibancada, sussurrando no ouvido do torcedor que a vitória é uma obrigação.

Enquanto Campinas administra suas ausências, o campeonato se move. Do outro lado da rede, no sábado, estará Ilhabela. Um time que começou com duas derrotas e só na última partida sentiu o gosto de vencer em casa, diante do seu povo. A arquibancada do Ginásio Oscar Schmidt, que viu a primeira vitória do time no torneio, não joga, mas sabe empurrar. E ela sabe, principalmente, que o gigante do outro lado, apesar da fama, sangra. Ele tem o nome, a história, o peso da camisa, mas não tem todos os seus homens.

Claro, é cedo. Os desfalques são temporários e, quando Pinta, Martinez e Dileo voltarem, no fim de setembro, a ordem natural das coisas tende a se restabelecer. Mas até lá, cada jogo é um teste. Um teste para o assistente, para os reservas que ganharam minutos, para a estrutura que precisa provar que é maior que os indivíduos.

Por ora, a campanha é impecável. Mas o que acontece se o primeiro set perdido vier contra Ilhabela? E se a primeira derrota chegar antes dos reforços? A caça ao hexa começou como um monólogo, mas o drama real está em saber se a dinastia se sustenta sem seu rei e seus príncipes.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Paulista de Vôlei tem três jogos e Campinas busca hexa

Fonte: ge