A Copa por dentro, sem tocar na bola
Análise · Marcos Tibúrcio Faltam três anos para que a bola role, mas a Copa do Mundo Feminina já começou.
Análise · Marcos Tibúrcio
Faltam três anos para que a bola role, mas a Copa do Mundo Feminina já começou. Não nos gramados, ainda intocados, mas nos bastidores onde o espetáculo é, antes de tudo, montado. A Fifa abriu as portas para os voluntários, e este é o primeiro apito do torneio — um chamado que ecoa longe dos holofotes, mas sem o qual as luzes nem sequer se acenderiam.
Serão seis mil. Um exército anônimo, espalhado por aeroportos, hotéis e corredores de estádios, encarregado da liturgia que cerca cada partida. Enquanto as seleções suam no campo, eles suarão para que um microfone funcione, para que um ônibus chegue no horário, para que um jornalista estrangeiro encontre o seu lugar. São a engrenagem invisível que move a máquina monumental de um evento global.
O futebol, na sua essência, vive do que se vê: o drible, o gol, a defesa milagrosa. Mas a organização de uma Copa do Mundo vive do que não se nota. É um balé complexo de logística e hospitalidade, e os voluntários são seus bailarinos silenciosos. Não pedem experiência prévia, apenas o domínio do idioma local ou do inglês — a língua franca do futebol moderno — e a disponibilidade para servir a uma causa que, por um mês, será maior que qualquer clube.
Em 2014, na Copa masculina, foram mais de 13 mil. O número agora é menor, mas a missão é a mesma: dar um rosto humano à burocracia de uma entidade sediada na Suíça. É a chance de ver o circo por dentro, de participar da história sem precisar calçar chuteiras. Para muitos, será a única forma de tocar na Copa do Mundo, de respirar o mesmo ar dos protagonistas, de sentir-se parte de algo que, da arquibancada, parece um sonho distante e inalcançável.
O jogo que importa, aquele dos 90 minutos, ainda está longe. O que começa agora é outro campeonato: o da organização, do trabalho miúdo, da dedicação sem aplausos. É a Copa que o torcedor comum não vê, mas sem a qual não haveria Copa alguma para se ver.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge
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